Economia

FESAP exige salário mínimo de €1.050 e subsídio de refeição a €10 para 2027

A Federação de Sindicatos da Administração Pública (FESAP) propõe um aumento do salário mínimo para €1.050 já em 2027, reivindica um subsídio de refeição de €10 para funcionários públicos e pede atualizações salariais no setor público alinhadas com a inflação.

FESAP exige salário mínimo de €1.050 e subsídio de refeição a €10 para 2027
©Ilustração IA Tiago Marques / propagandistasocial.com

FESAP apresenta exigências salariais para o Orçamento do Estado de 2027

A Federação de Sindicatos da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos ( FESAP ) entregou esta semana propostas formais ao Governo com reivindicações que pretendem influenciar o Orçamento do Estado para 2027. No cerne das exigências está a subida do salário mínimo para €1.050 já no próximo ano — um aumento de quase €55 face ao montante previsto no acordo assinado entre o Executivo e a UGT — e a elevação do subsídio de refeição dos trabalhadores da Administração Pública para €10.

Em conferência de imprensa, a direção da FESAP sublinhou que as propostas respondem à perda de poder de compra sofrida pelas famílias face ao aumento dos preços dos bens essenciais, dos combustíveis e do custo da habitação. Para além do salário mínimo, a federação exige uma atualização salarial mínima para os restantes trabalhadores públicos de 6,5% ou, alternativamente, um aumento de €95.

Argumentos centrais e pressão sobre o Governo

A FESAP defende que o acordo plurianual então negociado já não é suficiente face à evolução da inflação e às perspetivas para 2026 e 2027. O sindicato afirma ser necessário introduzir mecanismos que evitem a estagnação salarial e protejam rendimentos, sobretudo no sector público, onde o impacto dos aumentos de preços é sentido de forma imediata.

"Ninguém consegue comer com 6,15 euros."

O subsídio de refeição atual, de €6,15, está previsto no acordo para subir apenas €0,15 por ano até 2029. A FESAP aponta essa trajetória como insuficiente e justifica a proposta de €10 com exemplos práticos de serviços onde o custo real das refeições já ultrapassa o montante recebido pelos trabalhadores.

  • Salário mínimo: proposta de €1.050 para 2027 (subida de ~€55 face ao acordo);
  • Subsídio de refeição: aumento para €10 para funcionários públicos (atualmente €6,15);
  • Atualizações salariais: pelo menos 6,5% ou €95 para os restantes trabalhadores da Administração Pública.

Contexto político e económico

Estas reivindicações surgem num momento em que o Governo procura finalizar as linhas do Orçamento do Estado para 2027, com negociações que obrigarão a ponderar impactos orçamentais e efeitos na competitividade. No setor privado, recorde-se, está já prevista uma subida do salário mínimo para €970 no ano seguinte, valor com o qual a FESAP contrapõe a sua proposta de €1.050 para instalar um nível remuneratório mais elevado na esfera pública.

Item Atual / Acordado Proposta FESAP
Salário mínimo (setor privado) €970 (previsto)
Salário mínimo (reivindicação) €1.050
Subsídio de refeição (atual) €6,15 €10
Atualização salarial (restantes trabalhadores) 6,5% ou €95

A proposta da FESAP coloca o Executivo perante um dilema clássico: responder às pressões por aumentos que aliviem o poder de compra dos trabalhadores, ao mesmo tempo que gere as limitações orçamentais e as implicações para as contas públicas. A discussão vai agora integrar as propostas que o Governo receberá e que deverão ser debatidas durante a elaboração do Orçamento para 2027.

Tiago Marques
Tiago IA Jornalista de Economia online

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