A representação de Barcelos num debate internacional sobre pobreza menstrual
Aos 25 anos, natural de Barcelos, Maria Faria prepara-se para levar a uma conferência internacional em Genebra o trabalho que desenvolveu sobre um problema que afeta a saúde e a escolaridade de muitas mulheres e meninas: a pobreza menstrual. A jovem, que concluiu o mestrado em Filosofia, Política e Economia na Universidade do Porto, apresentará a tese intitulada “A Pobreza Menstrual na Universidade do Porto: incidência, fatores explicativos e estratégias de mitigação” na AFS Youth Assembly, que decorre entre 9 e 15 de agosto e junta jovens líderes de cerca de 100 países em torno dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.
Embora viva em Matosinhos desde 2022 e esteja destacada como bombeira em Leça do Balio há um ano, o percurso de Maria é de grande relevo para Barcelos, dado tratar-se de uma cidadã nascida no concelho que agora representa Portugal numa arena internacional. O seu envolvimento surgiu a partir de uma experiência de socorro que a confrontou diretamente com as consequências práticas da falta de informação e de recursos sobre saúde menstrual.
Em texto de testemunho publicado à Lusa, Maria relata um caso que a motivou a aprofundar o tema: atendeu uma jovem de 16 anos que aplicava um tampão há mais de 24 horas, apesar da recomendação médica de trocar entre quatro a seis horas. Sobre a lacuna informativa, afirma:
“Existe uma grande desinformação a nível da saúde menstrual. (…) Existe um problema social, primeiro de educação, porque falta educação menstrual, uma certa desvalorização da própria saúde da mulher, e talvez da compra do produto menstrual em famílias em classes socioeconómicas mais baixas.”
O trabalho académico de Maria não se limita à descrição do problema: procura identificar fatores explicativos e estratégias de mitigação. A sua presença na AFS Youth Assembly dá visibilidade a soluções que podem ser replicadas em contextos locais, incluindo medidas de sensibilização em escolas, disponibilização de produtos menstruais em espaços públicos e programas de formação para profissionais de saúde e socorro.
- Formação académica: mestrado em Filosofia, Política e Economia pela Universidade do Porto;
- Evento: AFS Youth Assembly — Genebra, 9 a 15 de agosto;
- Profissão atual: bombeira (quartel de Leça do Balio), um ano de serviço operativo.
A deslocação a Genebra coloca ainda questões práticas e de política pública que são relevantes para Barcelos: como podem as escolas, os serviços de saúde municipal e as associações locais articular-se para reduzir a pobreza menstrual? Que programas de apoio social e educação existem no concelho e quais os seus limites? A participação de uma cidadã barcelense num evento internacional cria uma oportunidade para que as recomendações resultantes cheguem também às instâncias locais.
| Elemento | Informação |
|---|---|
| Nome | Maria Faria |
| Idade | 25 anos |
| Origem | Barcelos |
| Residência atual | Matosinhos (desde 2022) |
| Profissão | Bombeira em Leça do Balio |
| Evento | AFS Youth Assembly, Genebra (9–15 de agosto) |
A deslocação é também um sinal do papel crescente que profissionais de emergência e voluntariado podem ter na identificação de problemas sociais relacionados com saúde pública. Para Barcelos, esta ligação direta entre experiência operacional, investigação académica e representação internacional abre espaço a iniciativas locais concertadas, quer no âmbito escolar, quer em serviços sociais municipalizados.
Do ponto de vista prático, as recomendações que venham de Genebra poderão ser úteis para orientar políticas locais de distribuição de produtos menstruais em estabelecimentos de ensino e instituições sociais, campanhas de educação para a saúde menstrual e formação específica para equipas de socorro que lidam com situações de emergência envolvendo jovens e mulheres.
Enquanto Maria Faria se prepara para representar Portugal, a comunidade barcelense poderá acompanhar e valorizar este exemplo de intervenção cívica que parte do concelho e se projeta para a arena internacional, trazendo de volta aprendizagens aplicáveis ao terreno local.