O município de Beja formalizou a adesão ao programa nacional PRO NAT.URBE, numa iniciativa destinada a combater o stress térmico urbano através do restauro da natureza em espaços da cidade. A assinatura do protocolo com o Ministério do Ambiente e Energia coloca Beja entre os seis concelhos-piloto escolhidos para desenhar e executar intervenções de adaptação climática até 2028.
Diagnóstico e metas
Atualmente, o coberto arbóreo de Beja situa-se em cerca de 2%, um valor que fica muito abaixo do limiar mínimo de 10% definido pelo Regulamento Europeu do Restauro da Natureza. A fragilidade da cobertura verde torna a cidade mais vulnerável a períodos de calor intenso e a ondas de calor cada vez mais frequentes.
O projeto centra-se na adoção da referência internacional conhecida por 3-30-300, que propõe três objetivos complementares: que cada residência tenha a vista de pelo menos 3 árvores; que 30% da área residencial disponha de coberto arbóreo; e que nenhum habitante se encontre a mais de 300 metros de um espaço verde de qualidade. A autarquia pretende, com estas medidas, aumentar a sombreamento urbano, melhorar o conforto térmico e reforçar a resiliência dos bairros.
“com esta iniciativa, Beja dá um passo decisivo para se aproximar do padrão internacional 3-30-300, referência mundial para cidades mais verdes, saudáveis e resilientes, afirmando-se como um projeto-piloto de referência para o interior do país”
Intervenções previstas
O plano de ação prevê, entre outras medidas, a requalificação de áreas do Jardim Público, criação de novos pontos de sombra, recuperação de lagos e espelhos de água e a instalação de estruturas que aumentem a permeabilidade e o conforto térmico dos espaços. A intervenção será integrada e faseada até 2028, com trabalho conjunto entre a Câmara Municipal e o Ministério.
- Reforço do coberto arbóreo em espaços públicos;
- Reabilitação de áreas verdes e pontos de água no Jardim Público;
- Criação de uma rede de abrigos climáticos acessíveis à população.
A titular do ministério, Maria da Graça Carvalho, natural de Beja, presidiu à cerimónia e salientou o potencial local para acolher um projecto-piloto, depois de ter constatado necessidades concretas no Jardim Público em visitas anteriores. A coordenação desta iniciativa permitirá ainda que Beja sirva de exemplo para estratégias de adaptação ao calor em territórios do interior.
Impacto para os residentes
Para os moradores, as intervenções poderão traduzir-se em redução dos picos térmicos nas ruas, melhoria da qualidade do ar e criação de espaços de lazer mais confortáveis durante o verão. A existência de abrigos climáticos e de áreas sombreadas é particularmente relevante para grupos vulneráveis, como idosos e doentes crónicos, que sofrem mais com as temperaturas extremas.
| Indicador | Valor atual | Meta de referência |
|---|---|---|
| Coberto arbóreo | 2% | 10% (UE) |
| Regra 3-30-300 | 3 árvores visíveis; 30% coberto arbóreo; 300 m até espaço verde | |
O acompanhamento do programa incluirá avaliações periódicas do resultado das obras e das medidas de gestão, de modo a quantificar ganhos em termos de sombra urbana, redução das ilhas de calor e melhoria ambiental. A integração no PRO NAT.URBE traz, além de intervenções físicas, apoio técnico e coordenação política entre autarquia e Estado.
Para os munícipes interessados, a evolução do projeto e eventuais consultas públicas relativas às operações de requalificação serão divulgadas pela Câmara Municipal ao longo dos próximos anos.