Medicina primária em risco no distrito de Beja
O distrito de Beja enfrenta a possibilidade de ver reduzido o número de médicos a prestar assistência nos cuidados de saúde primários devido ao novo decreto‑lei que regula a contratação de médicos tarefeiros, aprovado em maio e publicado em junho no Diário da República. Autoridades locais estimam que até 16 clínicos estrangeiros possam deixar de prestar serviço nos 13 centros de saúde da região até ao final do ano.
O presidente da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL), António José Brito, foi a fonte destas estimativas citadas pela agência Lusa. Em consequência, o responsável apontou para a possibilidade de cerca de 30.000 utentes serem afetados pela perda de acompanhamento médico contínuo. A situação foi também alvo de interpelação parlamentar pelo deputado do Chega eleito pelo círculo de Beja.
"Enquanto deputado do Chega eleito por Beja, exigirei ao Ministério da Saúde que diga, sem rodeios, quais os centros de saúde e extensões que serão afetados, quantos utentes estão em risco e que solução estará pronta antes do final do ano"
No comunicado, o deputado António Carneiro recordou ainda que a falta de médicos no Baixo Alentejo «não começou agora», apontando dados de março deste ano que referem que 18.628 pessoas continuavam sem médico. Carneiro criticou a aprovação da lei sem a prévia avaliação das consequências para territórios já fragilizados quanto à oferta de cuidados, sublinhando a necessidade de contratos, carreiras e condições que fixem profissionais na região.
As unidades afectadas não foram listadas na informação hoje divulgada, mas a referência a 13 centros de saúde e a possibilidade de saída de 16 médicos sublinha uma vulnerabilidade que terá impacto direto em concelhos como Beja, Moura, Serpa, Aljustrel, Almodôvar e Castro Verde — todos integrados no Baixo Alentejo.
- Possível saída de 16 médicos tarefeiros;
- Afectados: 13 centros de saúde do distrito;
- Estimativa de utentes em risco: cerca de 30.000;
- Referência anterior: 18.628 pessoas sem médico em março.
O apelo do deputado do Chega requer uma resposta clara do Ministério da Saúde sobre medidas concretas e calendários de intervenção «antes do final do ano», segundo a mesma nota. Para já, a incógnita sobre substituições ou soluções de recurso mantém-se, deixando as populações do distrito em alerta quanto à manutenção da capacidade de resposta dos serviços locais de saúde.
| Indicador | Valor referido |
|---|---|
| Médicos tarefeiros em risco de saída | 16 |
| Centros de saúde potencialmente afetados | 13 |
| Utentes estimados em risco | cerca de 30.000 |
| Pessoas sem médico (dados de março) | 18.628 |
Enquanto se aguardam esclarecimentos oficiais do Ministério da Saúde, a prioridade para os habitantes do distrito é a garantia de continuidade do acompanhamento clínico. A eventual perda de profissionais que acompanham populações locais «há anos» colocaria desafios imediatos à organização dos cuidados, aos tempos de resposta e à capacidade de realizar consultas, testes e seguimento de doentes crónicos na área do Baixo Alentejo.