Quartéis em recuperação mas sem certezas sobre apoio público
Os Bombeiros Voluntários de Leiria continuam a reparar os estragos causados pela depressão Kristin com recursos de donativos, enquanto aguardam uma confirmação escrita de apoio por parte do Estado. Seis meses depois da tempestade que afetou gravemente o distrito, a corporação denuncia não ter recebido qualquer documento oficial que lhe assegure ou negue suporte estatal.
Na visita ao quartel sede, nos Marrazes, promovida pelo município para assinalar o marco temporal dos seis meses, o presidente da associação humanitária deixou clara a frustração pela ausência de resposta dos organismos estatais.
"Até ao momento, não temos sequer um papel de um organismo do Estado a dizer-nos que podemos contar com o apoio ou não podemos contar com o apoio. Zero"
Apesar da indefinição administrativa, os trabalhos prosseguem. No quartel sede, as obras avançam a bom ritmo com a previsão de que o edifício esteja completamente operacional em agosto, segundo a própria corporação. A intervenção não se limita à reposição do estado anterior: as placas da cobertura são agora mais grossas e a estrutura metálica foi reforçada para resistir a ventos mais fortes. No quartel de Monte Redondo, que exigiu um novo projecto, a expectativa é completar a parte estrutural até novembro.
Todo o processo de reparação tem sido suportado por donativos nacionais e internacionais. A corporação referiu um apoio de 650 000 euros da Fundação Galp para o quartel sede e 300 000 euros para Monte Redondo. Para além destes montantes, a associação submeteu candidaturas junto da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), sem, até ao momento, obter resposta.
Os bombeiros salientam ainda que nunca interromperam a sua actividade de socorro: desde 28 de janeiro que asseguram o serviço à população enquanto procediam à limpeza e às obras. A falta de uma posição clara por parte da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e de outros organismos do Estado mantém, porém, um quadro de incerteza quanto ao eventual cofinanciamento e à cobertura financeira de intervenções futuras.
As consequências práticas para os habitantes de Leiria são tangíveis: a consolidação estrutural dos quartéis é crucial para a continuidade e a robustez da resposta a emergência, e a demora numa decisão estatal pode condicionar intervenções complementares ou elevar o risco financeiro para a corporação. A expectativa local concentra-se agora na obtenção de uma resposta formal que permita planear a manutenção e eventuais novos reforços sem depender exclusivamente de donativos.
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Donativo Fundação Galp (sede) | 650 000 euros |
| Donativo Fundação Galp (Monte Redondo) | 300 000 euros |
| Prazos previstos | Sede operacional em agosto; Monte Redondo com estrutura concluída até novembro |
- Os trabalhos prosseguem com donativos nacionais e internacionais.
- Não há documento oficial do Estado a garantir apoio à corporação.
- A recuperação inclui reforços estruturais para resistir a ventos mais fortes.