Campanha 2026 arranca entre crescimento agregado e riscos climáticos
A campanha da Maçã de Alcobaça IGP começou esta época com as primeiras variedades do grupo Gala a chegarem ao mercado. Segundo a Associação dos Produtores de Maçã de Alcobaça (APMA), a produção global da região deverá registar um aumento entre 2% e 4%, apesar de, ao nível de cada estabelecimento produtor, se prever uma quebra de aproximadamente 3%.
Factores que moldam a campanha
A APMA atribui a discrepância entre crescimento global e perda por produtor a dois fatores principais: a entrada de novos produtores na associação, que aumenta o volume total, e os impactos climáticos que têm afetado a produtividade individual. Em comunicado, a associação lembra que a repetição de episódios de temperaturas extremas tem comprometido a acumulação de horas de frio necessárias ao ciclo das macieiras.
“O aquecimento registado não só durante os meses de crescimento dos frutos (primavera e verão) mas também durante o inverno condiciona a acumulação das necessárias horas de frio e de descanso das plantas, um fator fundamental para o normal crescimento dos frutos”,
O texto da APMA sublinha que as alterações climáticas são um “desafio crescente para a produção de maçã, com reflexos na produtividade, no crescimento, logo no calibre e no rendimento dos produtores”.
Transição para práticas mais sustentáveis
A campanha de 2026 marca também um reforço da aposta em sustentabilidade. A APMA indica que já existem mais de 100 pomares qualificados como EcoPomares, representando mais de metade da área de produção da Maçã de Alcobaça IGP. Nestes pomares privilegiam-se práticas de agroecologia e agricultura regenerativa, tirando partido da biodiversidade e de serviços do ecossistema como alternativas ao uso intensivo de produtos fitofarmacêuticos.
- Produção global prevista: +2% a +4%
- Produção por produtor: -3% (estimativa)
- EcoPomares qualificados: mais de 100 — >50% da área de produção
- Associação comemora 25 anos em 2026
Consequências para produtores e mercado local
Para os agricultores do concelho, a combinação de redução de rendimento por produtor e o aumento do volume agregado implica dinâmica comercial e logística diferente: preços no mercado, negociação com compradores e gestão de conservação e calibração dos frutos adquirem maior importância. A aposta em EcoPomares e em práticas que reduzam resíduos fitofarmacêuticos pode também abrir portas a nichos de mercado com maior valor acrescentado (produtos mais sustentáveis, certificações e exportação orientada).
| Indicador | Valor referido |
|---|---|
| Crescimento da produção global | 2%–4% |
| Variação média por produtor | -3% |
| EcoPomares qualificados | +100 (>50% da área) |
| Aniversário da APMA | 25 anos |
Para os consumidores locais, a influência imediata poderá traduzir-se em variações de oferta e, potencialmente, de preço ao longo da campanha. Para as instituições públicas do concelho, os dados reforçam a necessidade de políticas de apoio à adaptação climática no setor agrícola, nomeadamente programas de monitorização fenológica, aconselhamento técnico para gestão de frio e incentivos à transição agroecológica.
Em resumo, a Maçã de Alcobaça inicia a campanha de 2026 com uma leitura dupla: um ligeiro aumento do volume agregado que contrasta com perdas médias por produtor, num contexto em que a sustentabilidade e a resiliência climática passam a ser vetores centrais para garantir a continuidade e a competitividade da produção local.