A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Leiria continua a reconstruir os quartéis atingidos pela tempestade Kristin sem ter recebido, até ao momento, qualquer verba ou garantia formal de apoio por parte do Estado. Se passaram já seis meses desde o evento que provocou danos significativos nas infraestruturas da corporação.
Recuperação financiada por solidariedade
Segundo informações da própria associação, as obras de reparação nos quartéis de Marrazes e Monte Redondo têm sido asseguradas com recurso a donativos de particulares e empresas. A Fundação Galp foi identificada como um dos principais mecenas, tendo garantido perto de um milhão de euros, o que permitiu avançar com trabalhos considerados prioritários para retomar a operacionalidade.
“Até ao momento, não temos sequer um papel de um organismo do Estado a dizer-nos que podemos contar com o apoio ou não podemos contar com o apoio. Zero.”
O presidente da direção da associação, José Almeida Lopes, tem manifestado descontentamento pela ausência de respostas às candidaturas submetidas à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) e pela falta de retorno da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. Apesar das promessas feitas por representantes do Executivo durante as visitas técnicas, não foi ainda formalizada qualquer atribuição orçamental.
Impacto financeiro e agenda
O custo total estimado das empreitadas nos dois quartéis ronda os 2,1 milhões de euros. A corporação relata um défice remanescente de 800 mil euros para liquidar a totalidade das intervenções, embora a previsão seja que a sede esteja totalmente operacional durante o mês de agosto graças ao contributo privado já recolhido.
| Item | Valor |
|---|---|
| Custo total das obras | 2,1 milhões € |
| Contribuição da Fundação Galp | ~1 milhão € |
| Défice ainda por cobrir | 800 mil € |
Para além do impacto financeiro, a demora na confirmação de apoios estatais levanta questões sobre a capacidade de resposta a futuras ocorrências e sobre os mecanismos de financiamento e compensação a estruturas de proteção civil locais adequadas a eventos climáticos extremos.
O que significa para os habitantes de Leiria
Para a população do concelho, a situação traduz-se numa dependência temporária da boa vontade de mecenas e da solidariedade local para garantir serviços essenciais. Em termos práticos, a previsão de retoma da operacionalidade no início de agosto reduz o risco de quebra de capacidade de intervenção imediata, mas a corporação continua vulnerável face a custos não cobertos e a eventuais necessidades adicionais.
- Os quartéis afetados são os de Marrazes e Monte Redondo.
- A corporação aguarda resposta formal do Estado às candidaturas apresentadas à CCDRC.
- Há um défice de 800 mil euros que ainda precisa de ser assegurado para concluir as obras.
Enquanto se aguarda um desfecho oficial por parte das entidades governamentais, o apelo à solidariedade e à rapidez de decisão administrativa mantém-se, dado o carácter essencial dos serviços prestados pelos bombeiros voluntários à comunidade de Leiria.