Trânsito em Braga: hábitos que põem em causa quem caminha e gera custos
O quotidiano na cidade de Braga continua a ser marcado por práticas de circulação que prejudicam a mobilidade e a segurança dos peões. Entre as infrações mais frequentes destacam-se o uso indevido de sinais sonoros, o estacionamento sobre passeios e a paragem em segunda fila. Estas condutas, além de ilegais, têm consequências práticas imediatas para quem vive e trabalha na cidade.
O abuso da buzina é uma queixa recorrente. A legislação prevê que a buzina seja utilizada apenas em caso de perigo iminente ou fora das localidades para sinalizar intenções de ultrapassagem. Dentro das localidades, o uso forçado da buzina para saudações, protestos ou impaciência constitui uma contraordenação. À noite, as regras recomendam o recurso a sinais luminosos em vez de sonoros, reduzindo incómodos e poluição sonora em áreas residenciais.
"Todos nos deparamos com abusos no trânsito na cidade de Braga, tal como noutras localidades."
Outro problema persistente é o estacionamento em cima do passeio. O passeio é um espaço reservado à circulação de peões; quando um veículo ocupa essa área, são colocadas em risco pessoas com carrinhos de bebé, idosos e cidadãos com mobilidade reduzida. A proibição é clara no Código da Estrada e apenas existe uma exceção quando a sinalização o autoriza explicitamente.
O estacionamento em segunda fila também perturba gravemente a fluidez do tráfego. Além de bloquear o movimento, força manobras perigosas e cria constrangimentos na operação de transportes públicos e veículos de emergência. A prática é fonte frequente de insatisfação entre condutores e comerciantes locais, que veem acessos comprometidos e entregas atrasadas.
- Sinais sonoros: uso apenas em perigo iminente; coima entre €60 a €300.
- Estacionamento em passeios: proibido salvo sinalização em contrário; coima entre €60 a €300.
- Remoção de veículo: taxa de remoção €119 + dia de depósito €12; custo imediato mínimo referenciado de €191 quando somado à coima mínima.
| Infração | Coima | Encargos adicionais |
|---|---|---|
| Uso indevido da buzina | €60 — €300 | — |
| Estacionamento em passeio | €60 — €300 | Remoção €119 + depósito €12/dia |
Do ponto de vista prático, um proprietário cuja viatura seja removida por estacionamento sobre o passeio fica com uma despesa imediata que pode ascender, em termos mínimos, a €191 (coima mínima + taxa de remoção + um dia de depósito), sem prejuízo de custos adicionais caso a coima aplicada seja superior ou se houver prolongamento do período de depósito.
Para os bracarenses, a questão não é apenas financeira: trata‑se de garantir direitos básicos de circulação. A ocupação dos passeios impede o acesso de carrinhos e cadeiras de rodas; a segunda fila complica o percurso de autocarros e veículos de emergência; o ruído excessivo afecta a qualidade de vida nas zonas residenciais.
Medidas administrativas e de fiscalização, aliadas a campanhas de sensibilização, são instrumentos disponíveis às autoridades locais para reduzir estas práticas. Para além da aplicação do Código da Estrada, a gestão municipal pode reforçar a sinalização, ampliar zonas de estacionamento regulamentado e coordenar ações de inspeção com a Polícia Municipal e a PSP. A melhoria passa igualmente por um comportamento cívico dos condutores — estacionar corretamente, respeitar os passeios e usar a buzina apenas quando o risco o justifica.
Na ausência de mudanças de comportamento, os custos ficam não só no bolso dos infratores, mas na qualidade de vida de quem habita e visita Braga. A cidade depende de espaços públicos acessíveis e de um trânsito que funcione de forma ordenada para garantir mobilidade, segurança e convivência.