Reclamações sobre cuidados e visitas colocam em foco um lar em Beja
O filho de uma utente do lar do Monte, gerido pela Fundação São Barnabé, apresentou participações junto da Segurança Social e do Ministério Público após um episódio em que a mãe, com 96 anos, terá sido levada pelo próprio para casa e, mais tarde, impedida de ver familiares ao regressar à instituição. Segundo a denúncia, há também alegações de falhas nos cuidados prestados e de recusa da instituição em aceitar a entrega de medicamentos por parte da farmácia.
O episódio referido começou a 13 de julho, quando a idosa foi retirada do lar e deixada à porta da habitação do filho, que acabou por acionar as autoridades para que a mãe fosse reconduzida ao estabelecimento. O denunciante afirma ainda que, desde então, a utente tem estado privada de receber visitas e bens essenciais, incluindo fármacos.
“Foram cometidas falhas nos cuidados que foram prestados à mãe”, disse o filho ao jornal que noticiou o caso.
De acordo com informação recolhida pelo jornal, em maio a própria utente terá assinado um documento de responsabilidade manifestando a sua vontade de sair da instituição. O filho contesta essa assinatura, alegando que a mãe não estaria em condições de compreender e consentir tal decisão. A divergência sobre a validade desse termo é um dos pontos centrais nas comunicações formais já efetuadas às entidades competentes.
- Data do incidente: 13 de julho (retirada e devolução da utente ao lar)
- Idade da utente: 96 anos
- Entidades contactadas: Segurança Social e Ministério Público
Em maio, o denunciante tinha igualmente alertado o lar para um surto de gripe entre utentes e profissionais, sugerindo a utilização de máscaras preventivas. Nesse mesmo mês, refere ainda, a mãe adoecera, tendo sido transportada ao Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, onde foi diagnosticada com pneumonia e mantida acamada.
| Elemento | Descrição |
|---|---|
| Instituição | Fundação São Barnabé — Lar do Monte (Beja) |
| Utente | 96 anos (nome referido: Judite Vitorino no relato) |
| Reclamações | Falhas nos cuidados, proibição de visitas, recusa de entrega de medicamentos |
| Entidades contactadas | Segurança Social, Ministério Público |
A Fundação São Barnabé foi contactada pela redação mas recusou prestar declarações sobre o caso, conforme indica o relato inicialmente divulgado. A situação colocou em evidência questões práticas e legais relevantes para outros familiares de utentes em Beja: quem avalia a capacidade de consentimento de residentes, que procedimentos devem ser adotados em casos de saída voluntária, e como se gerem entregas externas de medicamentos e bens essenciais.
Para os habitantes e responsáveis por cuidados a domicílio ou em lares no concelho, o caso sublinha a importância de registos claros e comunicados formais quando há alterações de estado clínico dos utentes, bem como de mecanismos de fiscalização que assegurem direitos fundamentais como o contacto familiar e o acesso a terapêutica prescrita.
As participações junto da Segurança Social e do Ministério Público deverão originar inquéritos ou inspeções que podem clarificar as circunstâncias em torno do termo de responsabilidade assinado, das condições de prestação de cuidados e das medidas internas adotadas pelo lar face a surtos e a situações de doença entre utentes.
O desfecho deste caso terá implicações para utentes e famílias em Beja e poderá conduzir a recomendações ou medidas específicas dirigidas a instituições de acolhimento de idosos, especialmente no que respeita à documentação de consentimentos e às rotinas de gestão de medicamentos e visitas.