Intervenção ambiental e de uso público na margem do Mondego
O município de Coimbra apresentou um anteprojeto para a requalificação de cerca de 24 hectares na frente ribeirinha entre a praia do Rebolim e a Ponte da Portela. A proposta foi desenvolvida no âmbito do contrato-programa celebrado com o Fundo Ambiental e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e combina medidas de estabilização de margens, recuperação ecológica e criação de infraestruturas para a fruição pública.
Entre as intervenções previstas está a estabilização da margem junto à praia do Rebolim e na foz do rio Ceira, incluindo a remoção de ínsuas e a retirada de depósitos de areia que têm agravado a erosão da margem direita do Mondego em períodos de caudais elevados. Paralelamente, será implementado um conjunto de ações para recuperar a galeria ripícola e restaurar a vegetação autóctone.
- Erradicação e controlo de espécies exóticas invasoras, como acácias e canas;
- Plantação de espécies autóctones para reforçar a biodiversidade e a resiliência climática;
- Qualificação de percursos pedonais e cicláveis e criação de novas zonas de lazer;
- Implementação de um programa plurianual de manutenção e monitorização.
O documento previsto propõe também a valorização paisagística e ecológica da plataforma entre o rio Mondego e a avenida Luís Albuquerque, em terrenos do domínio municipal, com o objectivo de reforçar a conectividade ecológica e territorial. A frente ribeirinha será pensada como um espaço multifuncional, compatibilizando usos recreativos, desportivos, educativos e de contemplação.
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Área de intervenção | ~24 hectares |
| Duração prevista | 4 anos |
| Financiamento | Fundo Ambiental e APA |
| Principais ações | Estabilização de margens, remoção de ínsuas, recuperação ripícola, percursos |
Para os habitantes de Coimbra, as alterações prometem reduzir a vulnerabilidade face a fenómenos hidrometeorológicos extremos — como cheias e secas — ao mesmo tempo que ampliam as oportunidades de lazer e mobilidade suave junto ao rio. A qualificação dos percursos pedonais e cicláveis deverá reforçar as ligações entre a frente ribeirinha e a malha urbana, beneficiando deslocações diárias e atividades de recreio.
O anteprojeto prevê uma execução faseada ao longo de quatro anos e a implementação de um programa contínuo de manutenção e monitorização, peças essenciais para a eficácia das medidas ecológicas e de proteção. A calendarização detalhada das obras, o impacto temporário sobre acessos e eventuais condicionamentos à pesca e à utilização de espaços durante as intervenções serão divulgados à medida que o processo avançar para a fase de projecto de execução.
Esta intervenção junta prioridades ambientais e urbanísticas que têm vindo a ganhar centralidade nas políticas municipais e responde a preocupações recorrentes sobre a conservação dos ecossistemas ribeirinhos e a segurança das margens do Mondego.