Notificação e resposta
A Universidade de Coimbra (UC) notificou, a 15 de julho, as repúblicas estudantis Marias do Loureiro e Baco, instaladas no mesmo edifício no Largo do Loureiro, para procederem à desocupação por alegados riscos estruturais. As moradoras dizem tratar‑se de uma medida que pode configurar um despejo sem garantias de regresso ao espaço histórico.
Em resposta à agência Lusa, a república Marias do Loureiro acusou a universidade de “
assédio imobiliário” e de optar pelo litígio em vez do diálogo, recordando um alerta lançado em 2025, quando já tinham sido notificadas sobre um risco de despejo. AUC, por seu lado, declarou ter apresentado uma proposta de saída temporária que foi recusada pelas residentes e justifica a notificação com motivos de segurança.
Reivindicações das residentes
As moradoras protestam contra a ausência de garantias concretas por parte da UC: não foi apresentado um calendário de obras, um projeto de requalificação ou um plano que assegure o retorno à residência. Relatam ainda que a universidade terá recusado o recebimento das rendas, interrompido o envio das contas de água e eletricidade e retirado apoios anteriormente prestados pelos Serviços de Ação Social da instituição.
- 15 de julho: notificação da Universidade da intenção de denunciar o contrato de arrendamento.
- Abril: realização de uma vistoria solicitada pela própria universidade — cujo relatório as residentes dizem não ter acesso.
- 2025: já havia alerta público para o risco de despejo, apresentado em reunião do executivo da Câmara de Coimbra.
Documentos e transparência
Uma das críticas centrais das residentes prende‑se com a falta de acesso ao relatório da vistoria realizada em abril. Sem esse documento, dizem, não é possível avaliar a real dimensão dos riscos alegados nem confrontar as propostas técnicas com alternativas de preservação ou requalificação que permitam manter a função habitacional do imóvel.
Consequências locais
O desenrolar deste processo tem efeitos imediatos na comunidade académica da Alta de Coimbra: trata‑se de uma república historicamente envolvida em lutas sociais e feministas, cujo encerramento representaria perda de um espaço de convívio e organização estudantil. Para além do impacto social, existem implicações práticas — realojamento de estudantes, gestão de rendas e prestação de serviços básicos — que carecem de soluções definidas e comunicadas com antecedência.
| Data | Evento |
|---|---|
| abril | Vistoria ao edifício (relatório não disponibilizado às residentes) |
| 2025 | Alerta na reunião do executivo da Câmara para risco de despejo |
| 15 de julho | Notificação da UC comunicando intenção de denúncia do contrato de arrendamento |
Perante as alegações de risco estrutural, a posição pública da universidade centra‑se na segurança das residentes. Ainda assim, a falta de diálogo percebida pelas moradoras e a reivindicação de transparência documental mantêm o conflito aberto, deixando em suspenso decisões que afetarão diretamente quem vive e trabalha na Alta de Coimbra.