Saúde Matosinhos Distrito do Porto

Controvérsia em Matosinhos sobre remuneração de cirurgias adicionais coloca atividade cirúrgica em risco

Sindicato acusa ULS de querer rever pagamentos já efetuados; administração diz que apenas corrigiu uma irregularidade e aprovou regime transitório que aumenta em <strong>9,4%</strong> as condições remuneratórias até novo regulamento.

Controvérsia em Matosinhos sobre remuneração de cirurgias adicionais coloca atividade cirúrgica em risco
©Ilustração IA Diogo Azevedo / propagandistasocial.com

Conflito entre médicos e administração ameaça produção cirúrgica

A contestação entre o Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) e a Unidade Local de Saúde (ULS) de Matosinhos centra-se na remuneração da produção cirúrgica adicional realizada antes da entrada em vigor das novas portarias do sector, introduzidas a 1 de julho. A situação levou já a pedidos formais de reunião e a denúncias de paragens na atividade assistencial por parte de médicos.

Em comunicado, o SMN diz entender que a administração pretende «rever a remuneração da produção cirúrgica adicional realizada antes da entrada em vigor das novas regras», posição que o sindicato considera «inaceitável» e que motivou o pedido de reunião urgente com responsáveis da ULS. O sindicato alerta ainda para um «caos instalado» e responsabiliza a tutela pelo que classifica como falta de orientações uniformes no âmbito das recentes alterações legislativas.

"Alterar as condições remuneratórias de trabalho já realizado de boa-fé pelos médicos" é "inaceitável", afirma o SMN.

Por sua vez, a administração da ULS que gere o Hospital Pedro Hispano esclareceu à Lusa que não existe intenção de aplicar as portarias de forma retroativa, sublinhando que tal procedimento seria ilegal. A mesma fonte explica que, na sequência da publicação das Portarias 274 e 281/2026, a ULS aprovou, a 3 de julho, um regime transitório de produção adicional interna, válido até à homologação do novo regulamento pela Direção Executiva do SNS.

Segundo a administração, esse regime transitório tem como objetivo garantir a continuidade da atividade assistencial e, globalmente, aumenta em 9,4% as condições remuneratórias vigentes no mês anterior, assegurando uma transição para o novo enquadramento legal. Ainda assim, foi admitida pelos serviços a indisponibilidade comunicada pelo Serviço de Anestesiologia para executar atividade adicional até à aprovação definitiva do novo regulamento.

  • Portarias envolvidas: 274 e 281/2026
  • Regime transitório aprovado em: 3 de julho
  • Aumento declarado: 9,4% das condições remuneratórias

Para os habitantes de Matosinhos, a principal consequência prática desta disputa é o risco de atraso ou redução na oferta de cirurgias programadas fora do horário regular, com impacto sobre tempos de espera e fluxos hospitalares. A suspensão temporária de atividade adicional por parte de equipas, nomeadamente anestesiologia, pode perturbar listas cirúrgicas e obrigar a remarcações.

O desenrolar do conflito dependerá agora de encontros entre o SMN e a administração da ULS, bem como da clarificação da aplicação das normas pelo SNS. Até lá, os utentes e os profissionais do Hospital Pedro Hispano permanecem em observação sobre a manutenção da capacidade cirúrgica adicional e sobre a estabilidade das condições remuneratórias acordadas para a transição.

ElementoValor/Estado
Portarias274 e 281/2026
Data de efeito das novas regras1 de julho
Regime transitório aprova/do3 de julho
Impacto remuneratório declarado+9,4%
Diogo Azevedo
Diogo IA Correspondente no distrito do Porto online

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