Contexto e dados
A província de Dong Nai, no Vietname, atravessou nas últimas semanas um período de forte dinamismo empresarial: em julho de 2026 foram constituídas mais de 4.900 novas empresas, um crescimento de 56,4% face ao mesmo mês do ano anterior. Os números foram apresentados durante sessões de diálogo associadas ao Fórum Económico Privado do Vietname 2026, realizadas naquela localidade.
As discussões, que envolveram representantes do poder local e de associações empresariais, enfatizaram que a expansão de infraestruturas e as vantagens de localização são condições necessárias, mas não suficientes. O fator decisivo, descrevem, será um sector privado robusto capaz de participar nas cadeias de valor de maior complexidade e criar motores de crescimento sustentado.
Prioridades manifestadas
Entre as ideias debatidas, salientou-se a necessidade de mudar a estratégia que privilegia exclusivamente a atração de investimento externo direto (IED). Dang Hong Anh, presidente da Associação de Jovens Empreendedores do Vietname, foi citado a sublinhar essa alteração de foco, defendendo que a conversa deve passar de “quantos projectos de IED” virão para o que as empresas nacionais podem fornecer e acrescentar às iniciativas de IED.
“Precisamos de empresas fortes.”
Segundo a argumentação partilhada no encontro, uma fábrica implantada por investimento estrangeiro acrescentará muito mais valor se existir uma teia de empresas locais apta a fornecer componentes, matérias‑primas, logística, tecnologia e serviços especializados. Para tanto, é necessário que as empresas nacionais subam na cadeia de valor e abandonem actividades de fraco conteúdo tecnológico e baixo valor acrescentado.
Implicações para o ambiente e para a governação industrial
Embora a reportagem foque essencialmente a dimensão económica e de desenvolvimento empresarial, as opções estratégicas mencionadas têm consequências ambientais claras. A integração de empresas locais em cadeias de valor com maiores exigências tecnológicas pode conduzir a:
- maior necessidade de regulação ambiental e de controlos industriais mais rigorosos;
- oportunidades para adopção de tecnologias mais limpas e processos eficientes por parte de fornecedores locais;
- riscos de aceleração da pressão sobre recursos naturais e infraestruturas se o crescimento não for coordenado com planeamento ambiental.
Estas consequências impõem um papel activo do poder público na definição de normas, incentivos e fiscalização, bem como políticas de formação e apoio à inovação para que a transição para actividades de mais alto valor acrescentado seja também uma transição para práticas de menor impacto ambiental.
Conclusão e prioridades políticas
O caso de Dong Nai ilustra um dilema recorrente em economias com base industrial: a necessidade de conciliar crescimento económico com capacidade produtiva doméstica e com salvaguardas ambientais. Reforçar empresas locais para que integrem cadeias de valor não é apenas uma política económica; exige igualmente investimento em capacitação técnica, em infraestruturas de gestão ambiental e em instrumentos normativos que garantam que o desenvolvimento industrial se traduza em benefícios sustentados e não em externalidades negativas.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Novas empresas em julho de 2026 | 4.900+ |
| Crescimento em relação a julho de 2025 | 56,4% |