Uma menina de 11 anos ficou sozinha numa área de serviço da A2, em Almodôvar, depois do autocarro em que seguia ter retomado a marcha sem confirmar o regresso de todos os passageiros. A situação, que colocou em foco a segurança de menores em viagens inter‑regionais, foi relatada pela família e está a ser investigada pelas autoridades e pela transportadora.
Como aconteceu
A criança havia embarcado em Lisboa, na Gare do Oriente, num autocarro operado pela FlixBus, com destino a Faro. Segundo a família, a menor seguia sozinha com autorização dos pais, documento exigido pela transportadora para menores sem acompanhamento. Ao que apurámos, uma avaria na casa de banho obrigou o motorista a parar numa área de serviço em Almodôvar. Quando a criança regressou do espaço sanitário, o veículo já tinha partido.
O pai, identificado nos relatos como Rui Pedro Val, recebeu uma chamada da filha em lágrimas. As funcionárias da área de serviço prestaram apoio, deram alimento e tranquilizaram a menor até à chegada das autoridades. O pai percorreu cerca de 200 quilómetros para a ir buscar e, quando chegou a Almodôvar, a jovem encontrava‑se acompanhada por uma patrulha da GNR.
Reacções e medidas
Ao chegar a Faro, a mãe da criança confrontou o motorista. A família refere que o condutor respondeu que "
não era ama" e que não seria a primeira vez que um passageiro ficava em terra, tendo ainda recusado identificar‑se. A mãe apresentou queixa na PSP de Faro, que alertou a GNR, e os pais decidiram avançar com providências judiciais por considerar haver incumprimento dos deveres de segurança por parte do motorista.
A FlixBus confirmou ter conhecimento da ocorrência e declarou que está a apurar o sucedido com a empresa responsável pela operação daquela viagem. A transportadora adiantou ainda que o valor da viagem será devolvido à família.
Impacto para os utentes e questões em aberto
O caso suscita várias dúvidas práticas para quem recorre ao transporte rodoviário de longa distância: que procedimentos existem para verificar que todos os passageiros regressaram após paragens não previstas; qual a responsabilidade do motorista e da empresa gestora da operação; e que mecanismos de proteção são activados quando viajam menores desacompanhados.
- Documento de autorização: a família tinha preenchido a declaração exigida pela transportadora para a viagem de menor desacompanhado.
- Paragem imprevista: a interrupção deveu‑se, segundo os relatos, a uma avaria na casa de banho do autocarro.
- Intervenção das autoridades: PSP recebeu a queixa e a GNR acompanhou a menor na área de serviço até à chegada do pai.
Para os residentes do distrito de Faro e quem viaja entre Lisboa e o Algarve, o episódio reforça a necessidade de clareza sobre os protocolos de segurança das empresas de transporte e da comunicação entre motoristas, operadores e passageiros em paragens não programadas.
As investigações em curso — internas na operadora responsável e junto das forças policiais — deverão clarificar responsabilidades e, eventualmente, conduzir a alterações nos procedimentos de verificação de passageiros após paragens técnicas ou de emergência.