Mesa administrativa apresenta demissão em bloco
A mesa administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Serpa apresentou, na quarta‑feira, demissão em bloco, depois de a assembleia‑geral ter chumbado uma proposta da administração para celebrar contratos de gestão partilhada com o Grupo LA Health. A provedora demissionária, Maria Isabel Estevens, disse que o pedido de demissão foi formalizado junto do presidente da assembleia‑geral.
Segundo a responsável, a decisão de abandonar os cargos não decorreu apenas do resultado da votação, mas da falta de condições que, na sua opinião, tornaram impossível prevenir o chumbo da proposta.
“Não teve a ver propriamente com o chumbo... mas com a falta de condições para prevenir esse chumbo”, declarou Maria Isabel Estevens.
Na reunião da assembleia‑geral, realizada na segunda‑feira, os associados recusaram a proposta que previa dois contratos com o Grupo LA Health: um para a gestão da estrutura residencial para pessoas idosas (ERPI) e da unidade de cuidados continuados integrados (UCCI), e outro para consultoria e mediação na área da saúde.
| Valência | Proposta |
|---|---|
| ERPI | Contrato de gestão partilhada com Grupo LA Health |
| UCCI | Contrato de gestão partilhada com Grupo LA Health |
| Área da saúde | Contrato de consultoria e mediação |
Motivações e consequências apontadas
Maria Isabel Estevens sustentou que a assembleia poderia ter revisto e melhorado as condições dos contratos, mas que tal não aconteceu atempadamente, o que impediu a integração das alterações sugeridas pelos associados. Em consequência, a mesa entende que ficou fora do tempo para adaptar as propostas.
A provedora demissionária acrescentou que uma administração, sobretudo quando atravessa um período difícil, deve sentir apoio e trabalhar em rede, algo que, na sua avaliação, não se verificou ao longo do tempo.
- Aprovada rejeição pela assembleia-geral dos contratos com o Grupo LA Health;
- Demissão justificadas pela forma como decorreu a assembleia e falta de condições para evitar o chumbo;
- Incerteza imediata sobre a liderança e rumo da instituição.
Em comunicado, a Câmara Municipal de Serpa considerou o chumbo da proposta como um sinal inequívoco da necessidade de encontrar «um novo caminho» para a instituição e informou ter agendado reuniões com várias entidades para procurar uma solução estruturada, estável e duradoura. A autarquia garantiu a sua disponibilidade para colaborar de forma construtiva e responsável com todas as entidades envolvidas.
Também a concelhia de Serpa do PCP reagiu ao desfecho, defendendo que a instituição não deve ser entregue ao negócio privado, posição que a administração demissionária referiu nas declarações em sede de agência.
Impacto local e próximos passos
A saída em bloco da mesa administrativa coloca em questão a gestão corrente das valências da Misericórdia, nomeadamente a ERPI e a UCCI, que asseguram cuidados a idosos e doentes que dependem destes serviços no concelho. A Câmara anunciou reuniões com várias entidades, sem especificar prazos, o que deixa as decisões futuras em aberto.
Os associados da Misericórdia, os trabalhadores e os utentes acompanharão de perto as negociações que se avizinham, dado que qualquer alteração na gestão poderá ter efeitos concretos na prestação de cuidados e na sustentabilidade financeira da instituição.
Perante este quadro, a prioridade para a comunidade local será acompanhar as propostas que surjam das conversações convocadas pela Câmara e a definição de uma administração interina ou de um plano de estabilidade que garanta a continuidade dos serviços.