Processo de acolhimento em suspenso gera preocupação em Beja
Uma mulher de 96 anos, com limitações de mobilidade e múltiplos problemas de saúde, continua sem uma solução de acolhimento passadas mais de quatro semanas desde a sua saída do Lar do Monte, gerido pela Fundação São Barnabé. A idosa permanece na residência do filho, Alfredo Riscado, que assegura não dispor das condições necessárias para lhe prestar os cuidados permanentes exigidos.
Segundo o relato do filho, a Segurança Social convocou uma reunião no dia 16 de julho, na qual foi informada a existência de uma vaga na Fundação Domingos Simão Pulido – Residência São Joaquim e Santa Ana “Os Avós”, no concelho da Vidigueira. Depois de pedir que a proposta lhe fosse entregue por escrito, o pedido terá sido recusado, facto que motivou a apresentação de uma reclamação formal junto dos serviços.
"Recebi uma carta assinada pelo diretor do Centro Distrital da Segurança Social de Beja, confirmando a existência da vaga"
O filho afirma que, posteriormente, recebeu uma carta do Centro Distrital da Segurança Social de Beja que confirmava a vaga e assegurava que tinham sido tomadas diligências para garantir uma resposta adequada. Foi então orientado a tratar dos procedimentos junto da Cáritas de Beja, onde, no dia 24 de julho, diz ter cumprido toda a documentação necessária para a admissão da mãe.
De acordo com o mesmo relato, foi-lhe garantido que a documentação seria remetida imediatamente para a Segurança Social e que, em três a quatro dias, seria contactado para lhe indicar a data de entrada no lar. Esse contacto não aconteceu. Face à falta de notícias, regressou aos serviços no dia 5 de agosto para obter esclarecimentos e pedir a intervenção da técnica que acompanhava o processo.
No encontro de 5 de agosto, refere ter sido atendido por outras duas técnicas que o informaram não haver certeza quanto à disponibilidade da vaga, por depender de uma decisão da direção da instituição. A resposta surpreendeu o reclamante, uma vez que já dispunha de uma comunicação oficial da própria Segurança Social a confirmar a vaga, e diz ter cumprido os trâmites exigidos.
- Parte envolvida: idosa de 96 anos, com necessidades de cuidados permanentes.
- Família: filho e cuidador informal, a manifestar incapacidade para cuidados continuados.
- Instituições referidas: Fundação São Barnabé; Fundação Domingos Simão Pulido (Residência “Os Avós”); Centro Distrital da Segurança Social de Beja; Cáritas de Beja.
O caso levanta questões sobre a coordenação entre as entidades que intervêm no acolhimento de pessoas idosas e a transparência dos procedimentos administrativos. Para a família, o atraso e a contradição nas informações aumentam a vulnerabilidade da senhora e colocam o cuidador informal numa situação de sobrecarga.
| Data | Evento |
|---|---|
| 16 de julho | Reunião na Segurança Social, comunicação de vaga em lar da Vidigueira. |
| 24 de julho | Procedimentos administrativos tratados na Cáritas de Beja para admissão. |
| 5 de agosto | Pedido de esclarecimentos na Segurança Social após silêncio; informação de possível indecisão da instituição. |
Para os moradores do distrito, este episódio destaca a dependência de respostas célere e articulada entre instituições públicas e organizações de solidariedade, sobretudo quando estão em causa pessoas idosas com elevada dependência. A falta de confirmação por escrito e o diferendo entre comunicações internas podem atrasar acolhimentos urgentes e sobrecarregar famílias que não têm recursos técnicos ou financeiros para cuidados continuados.
Perante a situação, resta aguardar esclarecimentos oficiais por parte do Centro Distrital da Segurança Social de Beja e da direção da instituição indicada, bem como uma resolução rápida que assegure o respeito pela dignidade e necessidades de saúde da idosa.