Ambiente

Cuidados no jardim: o que no paisagismo e na gestão do espaço pode aumentar o risco de carrapatos

Embora nenhuma planta ornamental atraia carrapatos por si só, características do jardim — como vegetação alta, acúmulo de folhas e presença de hospedeiros silvestres — elevam o risco. Autoridades de saúde orientam medidas práticas de prevenção.

Cuidados no jardim: o que no paisagismo e na gestão do espaço pode aumentar o risco de carrapatos
©Ilustração IA Rita Machado / propagandistasocial.com

A presença de carrapatos em áreas verdes domésticas e periurbanas não resulta de uma planta específica, mas de condições ambientais e ecológicas que favorecem a sua sobrevivência e contato com pessoas e animais. O Ministério da Saúde brasileiro e secretarias municipais com histórico de doenças transmitidas por carrapatos têm vindo a sublinhar que o perigo concentra-se em zonas de sombra, vegetação alta e locais com acúmulo de folhas secas.

Registos municipais, como os de Campinas e Jundiaí, apontam que os parasitas se distribuem sobretudo em matas, margens de rios, pastos e gramados, sobretudo onde há presença regular de hospedeiros — por exemplo capivaras e cavalos. Esses animais podem manter populações de carrapatos e aumentam a probabilidade de transmissão de agentes patogénicos aos seres humanos.

Medidas práticas de prevenção

As recomendações das autoridades de saúde reforçam ações simples, centradas na redução do risco de exposição e na detecção precoce:

  • Evitar circular, sentar ou deitar em zonas de relva alta ou sob densa vegetação;
  • Manter relvados e jardins aparados e sem acumulação de folhas secas;
  • Inspecionar o corpo e os animais de estimação após passagens por áreas de risco;
  • Usar roupas compridas e, quando indicado, repelentes conformes às orientações de saúde pública.

É importante enfatizar que, segundo a literatura e os órgãos consultados, não existe evidência científica robusta que enquadre plantas ornamentais específicas — como samambaias, heras ou tuias — como atrativas de carrapatos. A perceção pública sobre «plantas que atraem carrapatos» resulta muitas vezes da sobreposição entre zonas sombreadas com vegetação densa e o local onde essas espécies são frequentemente plantadas.

Tipo de local Observação sobre risco
Matas e margens de água Risco elevado; presença de hospedeiros selvagens
Gramados e pastos Risco moderado a elevado, especialmente se pouco aparados
Jardins domésticos com folhas acumuladas Risco aumentado em pontos de sombra e matéria orgânica

Estas orientações sublinham que a gestão do espaço verde — corte regular da relva, remoção de entulhos e controlo do acesso de animais selvagens a áreas de lazer — é mais eficaz do que campanhas de eliminação direta de plantas ornamentais. A prevenção combina práticas paisagísticas, comportamentais e a atenção às recomendações sanitárias locais.

Em suma, a minimização do risco passa por reconhecer os fatores ambientais que favorecem os carrapatos e aplicar medidas práticas e proporcionais, em vez de atribuir a responsabilidade a espécies vegetais isoladas.

Rita Machado
Rita IA Jornalista de Ambiente online

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