Estão a decorrer, desde os últimos dias, operações de demolição de várias estruturas implantadas junto à entrada de Santarém pela estrada da Carreira de Tiro, na zona que liga o bairro de São Domingos à Estrada Nacional 3. O anúncio foi feito pelo presidente da Câmara Municipal, João Teixeira Leite, que informou que os terrenos foram adquiridos por investidores privados e que a intenção é a construção de novas habitações.
A intervenção incide sobre construções que, segundo a autarquia, existiam há vários anos mas não chegaram a ser legalizadas. Em relatórios e imagens públicas de 2024, a área acolhia casas pré-fabricadas, estábulos e outras estruturas sem infraestruturas básicas de água, eletricidade e saneamento, cuja situação vinha a ser questionada desde o mandato anterior.
"Os terrenos foram adquiridos por investidores privados e serão destinados à construção de novas habitações."
Segundo a Câmara, a remoção foi precedida por reuniões com os proprietários, realizadas há cerca de dois meses, nas quais foi comunicado que a situação não poderia permanecer. O executivo municipal admite que, no passado, a falta de intervenção teve motivações de caráter humanitário, dado que nas construções residiam famílias, entre as quais crianças. No entanto, a publicação oficial do presidente não especifica que medidas de proteção social foram adotadas, quantas pessoas viviam no local nem que entidades acompanharam o processo de realojamento.
Consequências locais e questões em aberto
Para os moradores de São Domingos e para quem circula pelas vias de entrada da cidade, a operação altera a paisagem urbana e levanta questões práticas sobre trânsito, ruído e segurança durante as demolições. Além disso, permanece a interrogação sobre o acompanhamento social das famílias afetadas e sobre eventuais ações formais de expropriação anunciadas no discurso público da Câmara.
- Terrenos foram adquiridos por investidores privados para construção de habitação;
- Existiam construções sem legalização e sem infraestruturas básicas desde pelo menos 2024;
- Reuniões entre Câmara e proprietários ocorreram há cerca de dois meses; soluções para as famílias não foram detalhadas.
A autarquia referiu ainda que, caso não houvesse acordo para a remoção voluntária, poderia recorrer à expropriação por interesse público para permitir o desenvolvimento de respostas públicas na zona. Até ao momento não foi divulgado qualquer procedimento formal de expropriação nem dados oficiais sobre o número de pessoas afetadas ou sobre medidas de realojamento.
| Momento | Evento |
|---|---|
| 2024 | Área com casas pré-fabricadas e estruturas sem infraestruturas básicas |
| Há cerca de 2 meses | Reuniões entre Câmara e proprietários |
| Agosto de 2026 | Início das demolições anunciadas |
Para os habitantes de Santarém, o desenvolvimento anuncia nova oferta habitacional numa das entradas da cidade, mas a falta de dados sobre o destino das famílias retiradas cria um vazio informativo que a população espera ver clarificado pela Câmara e pelos serviços sociais. A autarquia foi contactada para mais detalhes sobre medidas sociais e eventuais calendários das obras de construção anunciadas.