A unidade da Mercadona em Santarém está no centro de alegações de más práticas laborais que chegaram recentemente à redação. Antigos trabalhadores descrevem um clima de trabalho marcado por abusos verbais, supostas ameaças com processos disciplinares e a retirada de bónus, além de casos que terão forçado despedimentos voluntários por motivos de saúde mental.
Relatos de ex-funcionárias
Uma das ex-trabalhadoras contactadas afirma ter sido colocada repetidamente na mesma secção de trabalho com um colega cujos comportamentos a deixaram desconfortável. Segundo a trabalhadora, na sequência da denúncia feita à coordenação anterior, foi inicialmente evitado o contacto entre ambos, mas com a entrada da atual coordenadora essa medida deixou de ser aplicada, apesar dos pedidos explícitos da funcionária.
“Não me sentia confortável a trabalhar com ele e contei à coordenadora o que se tinha passado e pedi para não trabalhar com ele”,
O problema prolongou-se até a trabalhadora apresentar a carta de demissão, justificando que "o dinheiro não paga a saúde mental". Quando o departamento de recursos humanos contactou a ex-funcionária para clarificar os motivos, esta apresentou as mensagens trocadas com a coordenadora, contudo — dizem os relatos — não houve ação subsequente que resolvesse a situação.
Outra ex-funcionária refere que, a partir da entrada da atual coordenadora, mudou radicalmente o ambiente na loja, com a perceção de que se formaram grupos que passam a agir com liberdade dentro do estabelecimento. Os denunciantes também apontam menções a ataques de ansiedade e pânico provocados pela repetida exposição às situações descritas.
Impacto local e procedimentos
As alegações apontam para consequências concretas: demissões por motivos de saúde mental, desgaste na equipa e um clima de trabalho tenso. Para os habitantes do concelho, além do impacto individual sobre os trabalhadores, estas situações levantam questões sobre fiscalização das condições laborais e o papel de coordenações locais e recursos humanos nas empresas.
- Problemas relatados: abusos verbais, ameaças disciplinares, retirada de bónus.
- Consequências: demissões voluntárias e sofrimento psicossocial.
- Reivindicações dos trabalhadores: medidas eficazes de proteção e investigação interna.
A redação procurou apurar se existem procedimentos formais em curso por parte da empresa ou das autoridades competentes, bem como ouvir representantes sindicais. Até ao momento, as informações recebidas baseiam-se nos relatos das ex-funcionárias que contactaram o jornal. O caso evidencia a necessidade de mecanismos claros de proteção e acompanhamento dos trabalhadores no distrito.
| Elemento | Natureza da alegação |
|---|---|
| Ex-funcionária A | Colocada com colega incómodo; pediu mudança sem resposta; demissão por saúde mental |
| Ex-funcionária B | Ambiente alterado após nova coordenação; existência de grupos com comportamento problemático |
Os relatos tornam palpável a tensão em torno da loja de Santarém e sublinham a importância de investigações que esclareçam responsabilidades e assegurem a proteção dos direitos laborais na prática diária.