O distrito de Setúbal teve, no primeiro semestre de 2026, o maior número de ocorrências de furtos de acessórios e peças de veículos motorizados registadas em Portugal: 135 casos, segundo estatística divulgada pela Guarda Nacional Republicana (GNR). Trata-se de um aumento face ao período homólogo, que integra uma tendência de crescimento nacional deste tipo de ilícitos.
A GNR contabilizou, entre janeiro e junho, um total de 685 crimes desta natureza no país, correspondendo a uma subida de 18,7% face às 577 ocorrências do primeiro semestre de 2025. Do conjunto, 178 processos referem-se especificamente ao furto de catalisadores — peças alvo por conterem metais preciosos como ródio, platina e paládio.
Como se opera o crime
Os autores recorrem a ferramentas portáteis, frequentemente rebarbadoras alimentadas por bateria, capazes de retirar um catalisador em menos de um minuto. As peças são depois encaminhadas para circuitos informais de venda e reciclagem, o que tem incentivado a atividade criminosa pelo alto valor dos metais recuperáveis.
- Incidência local: Setúbal com 135 casos no semestre.
- Outros distritos com registos elevados: Porto (113), Lisboa (93), Aveiro (59).
- Medidas da GNR: detenções, fiscalização a oficinas e sucateiras e controlo das cadeias de reciclagem.
A GNR refere ainda aumentos expressivos em distritos do interior — por exemplo, Portalegre, Viseu e Leiria — indicando uma expansão geográfica das redes que praticam estes furtos. No semestre em análise foram efetuadas 6 detenções relacionadas com furtos de acessórios ou peças de veículos, comparando-se com oito detenções ao longo de todo o ano de 2025.
| Distrito | Ocorrências (1.º sem. 2026) |
|---|---|
| Setúbal | 135 |
| Porto | 113 |
| Lisboa | 93 |
| Aveiro | 59 |
Recomendações práticas
Para reduzir a exposição ao risco, a GNR aconselha estacionar em zonas iluminadas ou vigiadas, ponderar a instalação de sistemas de proteção dos catalisadores e contactar imediatamente as autoridades perante indícios de tentativa de furto. As ações de monitorização a oficinas e centros de reciclagem pretendem também dificultar a conversão rápida das peças em lucro ilícito.
Para os condutores do distrito, a combinação de medidas preventivas pessoais e fiscalizações reforçadas pela GNR é, por agora, a principal resposta operacional a um fenómeno que tem vindo a crescer e a deslocar-se para novas áreas do país.