Relatório provisório aponta Viseu como um dos distritos mais atingidos
O distrito de Viseu foi o segundo mais afetado pelos incêndios rurais em Portugal no período de janeiro a julho, segundo dados provisórios divulgados pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). No conjunto, arderam 8.172 hectares no distrito, o que representa cerca de 15% da área total consumida pelas chamas no território nacional no mesmo intervalo.
Os números nacionais mostram que, até 31 de julho, Portugal contabilizou 5.755 incêndios rurais e 53.731 hectares de área ardida. Um capítulo marcado pela predominância de grandes fogos: menos de 1% dos incêndios foram responsáveis por 81% da área ardida no país, um indicador da concentração do impacto em poucos sinistros severos.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Incêndios rurais (Portugal, Jan–Jul) | 5.755 |
| Área ardida (Portugal, hectares) | 53.731 ha |
| Área ardida no distrito de Viseu | 8.172 ha (15% do total) |
| Maior incêndio referido (Vouzela) | 12.804 ha |
O relatório do ICNF destaca ainda o incêndio de Vouzela, que em julho consumiu 12.804 hectares e figura entre os cinco maiores ocorridos no ano. Estes episódios reforçam que a grave perda de área florestal e agrícola se concentra em ocorrências de grande dimensão, com consequências significativas para populações, infraestruturas e ecossistemas locais.
Quanto às causas investigadas dos incêndios, o ICNF aponta que 42% resultaram de queimas e queimadas. Seguem-se o fogo posto, responsável por 16% dos incêndios investigados, e os reacendimentos, que representaram 8%. Estes dados sublinham perfis distintos de origem do problema e a necessidade de medidas direcionadas, tanto na prevenção de práticas agrícolas e florestais arriscadas como na vigilância e na repressão de delitos.
- Concentração do risco: poucos incêndios de grande dimensão explicam a maior parte da área ardida.
- Responsabilidade das queimas: queimas e queimadas lideram as causas identificadas.
- Impacto local: municípios como Vouzela registaram fogos de grande escala que ampliam o efeito territorial.
Para os moradores do distrito, estes dados têm consequências práticas: reforço das medidas de autoproteção, maior atenção às campanhas de prevenção e perante situações de risco elevado a atenção às ordens das autoridades locais. A concentração de área ardida em poucos incêndios também realça a importância de capacidades de combate e de intervenção rápida para limitar a propagação e reduzir danos.
O ICNF classifica os números como provisórios e continuará a monitorizar e a investigar as ocorrências. Até ao final da época, a evolução dos fogos e a eficácia das respostas — tanto ao nível operacional como ao nível da gestão do território e das práticas de prevenção — serão determinantes para mitigar futuras vagas de incêndios.