Geotermia domina mas participação renovável dos Açores fica abaixo da Madeira
As ilhas dos Açores produziram 437,8 GWh de electricidade entre Janeiro e Junho de 2026, dos quais 31,5% tiveram origem em fontes renováveis, indica o boletim semestral da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN). A energia geotérmica foi a tecnologia que mais contribuiu para esse total, correspondendo a 18,8% da geração regional, seguida da energia eólica com 7,8%.
Apesar da expressão da geotermia no arquipélago, os Açores ficaram aquém da Região Autónoma da Madeira quanto à incorporação de renováveis na produção eléctrica acumulada no mesmo período: na Madeira a quota atingiu 46,1%, com uma produção total de 488,9 GWh. Naquele território, a energia hídrica representou 19,5% e a eólica 16,7%.
Os números divulgados pela APREN correspondem a um balanço especial relativo ao primeiro semestre e não são directamente comparáveis com os dados mensais divulgados para o continente. Ainda assim, ajudam a traçar o perfil energético das regiões autónomas e a perceber onde se situam face às metas de transição e às características naturais de cada arquipélago.
- Produção total (Açores, Jan-Jun 2026): 437,8 GWh
- Renováveis nos Açores: 31,5% (geotermia 18,8%; eólica 7,8%)
- Comparação – Madeira (Jan-Jun 2026): 488,9 GWh; renováveis 46,1% (hídrica 19,5%; eólica 16,7%)
Para efeitos de comparação com o continente, a APREN reportou que, em Julho de 2026, as fontes renováveis asseguraram 70,5% da produção eléctrica no Continente, correspondendo a 2.554 GWh de um total de 3.611 GWh naquele mês. No acumulado entre Janeiro e Julho, a incorporação renovável em Portugal Continental atingiu 75,0%.
| Região | Período | Produção (GWh) | Quota renovável |
|---|---|---|---|
| Açores | Jan–Jun 2026 | 437,8 | 31,5% |
| Madeira | Jan–Jun 2026 | 488,9 | 46,1% |
| Portugal Continental | Jul 2026 (mensal) | 3.611 (total); 2.554 renov. | 70,5% (Jul) |
Para os Açores, a predominância da geotermia reflecte as condições geológicas favoráveis e os investimentos históricos nessa tecnologia nas ilhas do grupo oriental, principalmente. Ainda assim, a diferença face à Madeira — onde a hídrica e a eólica têm peso relativamente maior — evidencia perfis distintos e desafios específicos na integração de fontes renováveis em sistemas eléctricos insulares.
Do ponto de vista prático para os habitantes e operadores regionais, estes valores têm implicações na gestão da rede, na necessidade de armazenamento e flexibilidade e no enquadramento das políticas de redução de emissões. A capacidade de aumentar a penetração renovável depende tanto de investimento em geração como em soluções de armazenamento, reforço de redes e mecanismos de gestão da procura.
O boletim da APREN sublinha ainda que, ao nível nacional, Portugal se posicionou entre os países europeus com maior peso das renováveis na geração eléctrica no primeiro semestre de 2026, reforçando a necessidade de desigualdades regionais serem abordadas com políticas adaptadas às realidades locais das regiões autónomas.
Os dados agora divulgados permitem aos decisores regionais reavaliar prioridades e acelerar intervenções onde for necessário para aumentar a resiliência e sustentabilidade do sistema eléctrico açoriano.