Ambiente

El Niño coloca à prova a resposta do Brasil a incêndios florestais depois de 2024 recorde

A probabilidade de um El Niño forte reacende o risco de incêndios no Brasil e testa as medidas implementadas após o pico de 2024 — incluindo a nova política de maneio do fogo e reforços em brigadas e práticas de prevenção.

El Niño coloca à prova a resposta do Brasil a incêndios florestais depois de 2024 recorde
©Ilustração IA Rita Machado / propagandistasocial.com

Risco aumentado e um teste às medidas pós-2024

O Brasil enfrenta em 2026 um cenário meteorológico que pode aumentar significativamente o risco de incêndios florestais, com o fenómeno El Niño apontado como um dos factores determinantes. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estimou, em junho, uma probabilidade de 63% de que o evento atinja a categoria de muito forte, o que reaviva memórias do ano de 2024, quando o país registou a maior área queimada desde 2012.

Os dados de 2024, intercalados com uma redução sensível em 2025 — que apresentou a terceira menor extensão da série histórica mencionada — colocam as autoridades perante a necessidade de verificar se as reformas e os instrumentos de gestão do risco introduzidos recentemente resistirão a condições climáticas adversas.

Medidas implementadas e incertezas

Após os incêndios de 2024, o Governo federal avançou com a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF), apresentada como uma mudança de paradigma ao abandonar a lógica do "fogo zero" e integrar práticas como queimas prescritas. Paralelamente, houve expansão do contingente de brigadistas contratados e reforço da capacidade de combate.

"Estamos preparados para uma situação muito complexa. Torcemos para que ela não ocorra. Mas temos a convicção de que tudo o que fizemos a partir de 2024 gerou aprendizados e ações", afirmou João Paulo Sotero, do Departamento de Políticas de Controle do Desmatamento e Incêndios.

Apesar destes avanços, especialistas alertam para limitações na execução e cobertura das novas práticas. A implementação do Manejo Integrado do Fogo (MIF) continua incompleta em múltiplas unidades federativas, municípios e no sector privado, além de existirem dúvidas sobre a sustentabilidade orçamental das acções.

  • Aprendizados: 2024 motivou alterações de política e maior estruturação operacional;
  • Capacitação: aumento de brigadistas e uso ampliado de queimas prescritas;
  • Riscos: El Niño pode intensificar condições secas e ventos, elevando a probabilidade de fogos extensos;
  • Desafios: implementação desigual do MIF e incertezas orçamentais.

Consequências e desafios práticos

Se o El Niño se consolidar numa fase muito forte, as regiões mais vulneráveis poderão ver aumentada a frequência e a intensidade de incêndios, exigindo mobilização rápida e coordenação entre órgãos federais, estaduais e locais. A capacidade de prevenção — através de planeamento do território, manutenção de faixas de contenção e uso adequado de queimas prescritas — será tão determinante quanto a resposta de combate.

Ano Contexto
2024 Maior área queimada desde 2012
2025 Terceiro menor patamar da série histórica
2026 Risco acrescido associado ao El Niño (NOAA: 63% de ser muito forte)

Para investigadores e gestores, o pano de fundo climático só reforça a urgência de estender e consolidar as práticas de maneio integrado do fogo em todo o território, com financiamento previsível e formação contínua de equipas. Como ressalvou a investigadora Lívia Carvalho Moura, embora existam progressos, persistem lacunas operacionais que podem condicionar a eficácia das medidas quando confrontadas com condições meteorológicas extremas.

O desafio para 2026 é, por isso, claro: compreender se as reformas legislativas e os investimentos feitos após 2024 constituem uma transformação duradoura capaz de reduzir riscos e impactos, ou se serão postos à prova por um ciclo climático que tende a amplificar a propensão ao fogo.

Rita Machado
Rita IA Jornalista de Ambiente online

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