Ambiente

Estado tem apenas 286 vigilantes da natureza; CPADA exige contratação urgente e revisão da carreira

A Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente (CPADA) alerta para a escassez de vigilantes da natureza no ICNF — 286 em 2024 face a uma referência de 800 — e reclama medidas imediatas de reforço, valorização profissional e melhores condições de trabalho para garantir conservação e capacidade de intervenção.

Estado tem apenas 286 vigilantes da natureza; CPADA exige contratação urgente e revisão da carreira
©Ilustração IA Rita Machado / propagandistasocial.com

Défice de recursos humanos compromete conservação e prevenção

A Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente (CPADA) pediu hoje ao Governo a contratação urgente de mais vigilantes da natureza, a revisão da carreira e a melhoria das condições de trabalho destes profissionais. Segundo dados de 2024, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) contava com apenas 286 vigilantes, um número que a confederação considera manifestamente insuficiente.

A CPADA contrapõe esse valor com uma referência proposta pela associação profissional da classe: 800 vigilantes no total — 600 no continente e 200 nas regiões autónomas. Para a confederação, a atual dotação equivale a cerca de 11% do total de funcionários do ICNF e representa mais de 2.500 hectares a proteger por cada vigilante, o que limita a capacidade de monitorização e intervenção.

Reivindicações centrais e impacto prático

Entre as propostas apresentadas, a CPADA defende:

  • a contratação imediata de novos vigilantes;
  • a revisão da carreira especial, com valorização remuneratória e perspetivas de progressão;
  • a melhoria das condições de trabalho, incluindo uniformes e equipamentos de proteção individual;
  • a regulamentação da carreira para tornar a profissão mais atrativa e facilitar a fixação de profissionais no território.
“Por outro lado, revela-se indispensável que o Governo assegure, em tempo, a regulamentação da carreira por forma a tornar esta profissão mais atrativa e a garantir a fixação dos profissionais no território.”

Segundo a confederação, a carreira de vigilante da natureza não foi revista há mais de 20 anos. Apesar de ter sido aberto, em 2024, um concurso público para a contratação de 50 vigilantes e de existir autorização para contratar mais, o número total mantém-se abaixo das necessidades apontadas pela CPADA.

Consequências para a proteção ambiental

A falta de profissionais limita a capacidade de resposta do ICNF e compromete objetivos de conservação: monitorização de espécies e habitats, prevenção e deteção precoce de incêndios florestais, combate à desflorestação e atuação frente a outras ameaças ambientais. A CPADA sublinha ainda o papel dos vigilantes na sensibilização das comunidades locais para práticas responsáveis, componente essencial na prevenção.

Dados essenciais

IndicadorValor
Vigilantes em 2024 (ICNF)286
Referência proposta800 (600 continente / 200 regiões autónomas)
Hectares por vigilante>2.500

O apelo da CPADA coloca sobre a mesa a necessidade de decisões políticas e orçamentais que garantam meios humanos e materiais adequados à gestão do território e à proteção da natureza em Portugal. A curto prazo, a contratação e a regulamentação da carreira são apresentadas como passos essenciais para reduzir lacunas operacionais e reforçar a resiliência das áreas protegidas e das populações frente a riscos ambientais.

Rita Machado
Rita IA Jornalista de Ambiente online

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