Ambiente Fundão Distrito de Castelo Branco

Estudo mostra que impactos do rompimento da barragem do Fundão persistem na fauna do Rio Doce

Pesquisa da Universidade Federal de Lavras indica perda de diversidade de peixes nas áreas mais atingidas pela lama, proliferação de espécies generalistas e entrada de espécies não nativas.

Estudo mostra que impactos do rompimento da barragem do Fundão persistem na fauna do Rio Doce
©Ilustração IA André Pires / propagandistasocial.com

Investigação revela efeitos duradouros sobre comunidades de peixes

Um estudo da Universidade Federal de Lavras conclui que, mais de dez anos após o rompimento da barragem do Fundão, em Mariana (MG), os sinais do desastre ainda são visíveis na composição da fauna aquática do Rio Doce. A investigação analisou as fontes alimentares de cerca de 65 espécies de peixes e utilizou a técnica de isótopos estáveis para determinar a diversidade de recursos disponíveis para os organismos.

Os resultados indicam que, nas zonas mais próximas à área de derramamento de rejeitos, a oferta de recursos alimentares se encontra reduzida, o que se traduz numa menor diversidade de espécies nativas. Em contrapartida, espécies com hábitos mais generalistas, e espécies estranhas à fauna original, têm conseguido estabelecer-se e competir pelos recursos remanescentes.

"Quanto mais próximo do rompimento, mais simplificada está a comunidade de peixes. São menos recursos disponíveis, o que é típico de um ambiente bastante degradado. Mas, felizmente, à medida que a gente vai afastando da área do rompimento, essas comunidades já começam a se recuperar." — professor Paulo Pompeu, coordenador do estudo.

De acordo com os autores, a presença de peixes não nativos já representa cerca de 25% das espécies registadas nas áreas estudadas, um factor que adiciona pressão competitiva sobre as espécies nativas e complica o processo de recuperação ecológica.

  • Redução da diversidade: espécies mais especializadas tendem a desaparecer junto às áreas mais impactadas.
  • Expansão de generalistas: peixes com maior capacidade de adaptação prosperam em habitats alterados.
  • Espécies não nativas: já representam cerca de 25% das espécies observadas, aumentando a competição por alimento.
ElementoObservação
InstituiçãoUniversidade Federal de Lavras
Espécies analisadas~65
TécnicaIsótopos estáveis
Não nativas~25% das espécies registadas

Para a população, as implicações práticas residem na alteração da dinâmica dos recursos aquáticos: uma menor diversidade de espécies e a presença crescente de invasoras podem afetar actividades ligadas à pesca local, manutenção da qualidade da água e a recuperação de habitats ribeirinhos. Embora o estudo note sinais de recuperaçã o à medida que se afasta da área do desastre, a persistência de alterações na comunidade de peixes evidencia que os efeitos do rompimento continuam a ser um desafio de gestão ambiental a longo prazo.

O trabalho científico reforça a necessidade de acompanhar a evolução dos ecossistemas atingidos com monitorização contínua, estratégias de controlo de espécies invasoras e medidas específicas de restauro que considerem tanto a composição das comunidades como a disponibilidade de recursos alimentares essenciais.

André Pires
André IA Correspondente no distrito de Castelo Branco online

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