Recifes artificiais complementam, mas não replicam, os naturais
Uma investigação com 9 anos de monitorização concluiu que os recifes artificiais criados na Madeira e no Porto Santo contribuem para manter a biodiversidade marinha, mas não substituem as funções ecológicas dos recifes naturais. O estudo, coordenado pelo Observatório Oceânico da Madeira em conjunto com parceiros regionais e a Universidade da Las Palmas, avaliou estruturas naturais e artificiais em ambas as ilhas.
Foram comparados, em cada ilha, 2 recifes naturais e 1 recife artificial — estes últimos resultantes do afundamento de corvetas da Marinha Portuguesa. Na Madeira o recife artificial provém da corveta Afonso Cerqueira e, no Porto Santo, da corveta General Pereira d'Eça. Ao longo do período de estudo foram registadas 52 espécies de peixes.
"A conclusão a que chegámos foi que [os recifes artificiais], em algumas coisas, comportam-se como os naturais, ou seja, em termos de espécies temos mais ou menos as mesmas num sítio e no outro"
O investigador responsável salientou, porém, que apesar da presença de espécies semelhantes, as comunidades dos recifes artificiais não replicam na totalidade as funções ecológicas observadas nos recifes naturais. Em termos práticos, isso significa que, apesar de servirem como habitat e contribuírem para a diversidade local, as estruturas artificiais não substituem processos ecológicos essenciais que ocorrem nos recifes naturais.
- O estudo monitorizou espécies e diversidade funcional nos recifes das duas ilhas durante quase uma década.
- Os recifes artificiais são relevantes para o turismo de mergulho e para a economia local, mas não devem ser vistos como substitutos ecológicos.
- Diferenças entre ilhas: na Madeira as comunidades piscícolas são mais ricas e funcionalmente diversas; no Porto Santo as diferenças entre natural e artificial foram mais evidentes.
Entre as espécies mais abundantes registadas no levantamento contam-se a castanheta, o peixe-verde, o porquinho, a castanheta-preta e o bodião. Estas espécies contribuem para a composição das comunidades observadas, mas a presença e a abundância não equivalem necessariamente à reprodução das funções ecológicas que caracterizam recifes naturais mais complexos.
| Elemento | Valor |
|---|---|
| Duração da monitorização | 9 anos |
| Recifes analisados por ilha | 2 naturais + 1 artificial |
| Espécies registadas | 52 |
Para quem reside na região, os resultados têm consequências práticas: a criação de recifes artificiais continua a ser uma ferramenta válida para reforçar habitats, potenciar atividades recreativas e diversificar a oferta turística ligada ao mergulho. Contudo, as autoridades ambientais e gestores costeiros devem ter consciência das limitações destas estruturas e manter políticas que protejam e recuperem os recifes naturais, fundamentais para a resiliência dos ecossistemas marinhos.
Os autores recomendam continuar a monitorização e integrar estes dados nas decisões sobre ordenamento marinho e atividades económicas ligadas ao mar, de modo a conciliar conservação e uso sustentável dos recursos marinhos na Madeira e no Porto Santo.