Subida acentuada de furtos de componentes automóveis
Os dados divulgados pela Guarda Nacional Republicana (GNR) para o primeiro semestre de 2026 revelam uma subida global nos furtos de acessórios e peças de veículos. Em termos nacionais foram registadas 685 ocorrências contra 577 no período homólogo de 2025, o que traduz um aumento de cerca de 19%.
Do total apurado, 178 processos correspondem especificamente a furtos de catalisadores, componentes agora no centro da actividade de redes criminosas por conterem metais do Grupo da Platina — Ródio (Rh), Platina (Pt) e Paládio (Pd) — valorizados no mercado global.
Impacto em Portalegre e outros distritos
A GNR sinaliza aumentos expressivos em vários distritos do interior, evidenciando a mobilidade das redes do litoral para o interior. Entre os exemplos referidos está Portalegre, com uma subida de 200%, seguindo-se Viseu (+150%) e Leiria (+71%).
- Ocorrências nacionais no 1.º semestre de 2026: 685 (vs. 577 em 2025).
- Processos por furto de catalisadores: 178.
- Detenções no período: 6 (vs. 8 em 2025).
"Contrariamente ao que possa parecer, os autores destes furtos não visam a reutilização ou venda da peça completa como componente automóvel de substituição", refere a GNR.
Segundo a própria entidade, os furtos são executados com recurso a rebarbadoras portáteis a bateria, capazes de extrair o catalisador em menos de um minuto, e as peças são depois escoadas com rapidez, o que tem dificultado a acção policial.
| Distrito | Casos referidos | Variação face a 2025 |
|---|---|---|
| Setúbal | 135 | +40 |
| Porto | 113 | +14 |
| Lisboa | 93 | +21 |
| Aveiro | 59 | +22 |
| Portalegre | não especificado | +200% |
Para os moradores de Portalegre, a sinalização deste aumento implica um conjunto de consequências concretas: maior risco de danos em veículos estacionados, custos acrescidos para reparação e substituição, e um potencial aumento do sentimento de insegurança em áreas residenciais e comerciais onde os automóveis permanecem estacionados por longos períodos.
Além do impacto directo nos proprietários, a GNR alerta para a natureza lucrativa do crime devido às cotações elevadas dos metais envolvidos em 2026, factor que pode atrair redes organizadas e justificar a sua deslocação para o interior.
As detenções caíram ligeiramente face a 2025 — seis no primeiro semestre de 2026 contra oito no ano anterior — o que indica dificuldades na prevenção e desarticulação destas actividades. A autoridade sublinha a mobilidade das redes criminosas e a rapidez com que os catalisadores são extraídos e escoados, factores que complicam a resposta policial.
Em Portalegre, como noutros distritos do interior, a conjugação de vigilância reforçada em locais de maior risco e medidas de precaução por parte dos proprietários pode ser determinante para mitigar a tendência apontada pelos números da GNR.