Portugal aposta num modelo turístico de maior valor
O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, afirmou em Díli, Timor-Leste, que é urgente alterar o modelo turístico português, privilegiando qualidade em vez de quantidade. Na opinião do governante, é necessário que o país consiga cobrar mais por cada dia de estadia, com o objetivo de aumentar rendimentos no setor e atrair investimentos que melhorem a oferta.
As declarações foram prestadas no final do encontro dos ministros do Turismo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), onde se discutiram estratégias para reforçar identidades culturais e rotas turísticas diferenciadoras. Castro Almeida defendeu que o turismo de massas não resolve os desafios actuais e que a aposta deve ser na especialização de destinos, percursos e experiências.
“Significa aumentar-lhe o seu valor e aumentar o valor significa que cada turista tem de pagar mais pelos dias que passa em Portugal.”
O argumento central do ministro liga directamente o aumento do preço do turismo a efeitos laborais e económicos concretos: permitir que quem trabalha no setor tenha melhores salários e garantir que quem investe obtenha retorno suficiente para continuar a aplicar capital na melhoria da qualidade.
Medidas e linhas estratégicas apontadas
- Valorização da identidade dos destinos para oferecer experiências diferenciadas;
- Especialização de percursos e rotas turísticas, com ênfase no turismo cultural e de natureza;
- Aumento do valor cobrado ao turista por dia, para fomentar salários mais altos e investimentos sustentados.
Durante a sua estada em Díli, o titular da pasta económica reuniu-se também com o primeiro‑ministro timorense, Xanana Gusmão, e assinou um acordo que prevê formação de jovens no setor do turismo por formadores portugueses. A iniciativa contempla tanto o desenvolvimento de competências em Timor‑Leste como a mobilidade de alguns formandos para Portugal, para suprir lacunas de mão de obra qualificadas no turismo português.
| Objectivo | Instrumento proposto |
|---|---|
| Melhor remuneração dos trabalhadores | Aumentar o preço efectivo por dia dos turistas |
| Investimento de qualidade | Garantir retorno suficiente para atrair capital |
| Diferenciação de oferta | Especializar destinos, rotas e turismo cultural/natureza |
O enfoque numa oferta turística distintiva implica que operadores, empresas e autarquias trabalhem em conjunto para reforçar a autenticidade dos produtos locais e criar experiências que justifiquem preços mais altos. Para o ministro, a preservação da identidade cultural é um dos factores que torna esse aumento de valor possível e desejável.
As propostas trazem consequências práticas que vão além dos preços: poderão acelerar políticas de formação profissional, como a já acordada cooperação com Timor‑Leste, e exigir adaptação das empresas — nomeadamente investindo em qualificação, infraestruturas e serviços que correspondam a expectativas mais exigentes por parte dos visitantes.
O debate sobre como conciliar crescimento turístico com sustentabilidade económica, social e ambiental permanece em aberto. A ideia de cobrar mais por dia coloca desafios de implementação (segmentação de mercado, políticas fiscais e tarifárias, e coordenação entre entidades públicas e privadas), mas coloca também no centro da discussão a necessidade de transformar o turismo português numa actividade que remunere melhor os seus profissionais e preserve características locais.