O Centro Cultural Raiano, em Idanha-a-Nova, foi ontem palco da apresentação oficial do “Guia das Rotas Turísticas 2026”, evento que fez parte da programação da XXVI Feira Raiana e das comemorações dos 20 anos do Geopark Naturtejo, reconhecido pela UNESCO. A iniciativa reuniu representantes institucionais, técnicos e atores do setor do turismo na região.
Na abertura, intervieram Armindo Jacinto, presidente da Naturtejo, e Luís Farinha, presidente do Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB). A sessão contou ainda com o discurso de Elza Gonçalves, presidente da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, que enfatizou o papel do território na preservação e promoção do património.
“Idanha-a-Nova é um território vivo” e “um ecossistema único onde a terra, a história e as pessoas se fundem numa identidade que desafia a distância e o tempo”.
Na sua intervenção, a autarca destacou o pioneirismo local na gestão do património e vinculou a apresentação do guia ao percurso de duas décadas de trabalho conjunto em torno da geoconservação. Substituiu a mera menção de efemérides por uma leitura estratégica: a preservação dos registos geológicos e a sua valorização como motor de desenvolvimento económico e social.
Uma agenda técnica e de promoção
O encontro assumiu um formato técnico-institucional, com um painel onde estiveram especialistas e responsáveis regionais. Entre os participantes estiveram Anabela Freitas, vice-presidente da Turismo Centro de Portugal; Sandra Teixeira, coordenadora de Turismo da Escola Superior de Gestão de Idanha-a-Nova (ESGIN); Rafael Vaz André, da Provere iNature; Nuno Francisco, diretor do Jornal do Fundão; João Pousinho, designer turístico; e Rafael Pintado, representante da Factor Ocio | Extremadura.
- Apresentação do novo Guia das Rotas Turísticas 2026 integrado nas comemorações do Geopark;
- Debate sobre as dinâmicas do sector e a conciliação entre conservação e desenvolvimento;
- Participação de entidades regionais de turismo, ensino superior e iniciativas transfronteiriças.
Para os habitantes do concelho e da região, a edição do guia representa tanto uma ferramenta prática de circulação e descoberta como um instrumento de promoção externa. A existência de rotas devidamente catalogadas facilita o acesso a pontos de interesse, apoia operadores locais e pode contribuir para aumentar a frequência turística em épocas menos movimentadas.
Do ponto de vista institucional, a sessão reforçou a imagem do território como exemplo de gestão conjunta de património geológico e desenvolvimento local. A ligação entre o Geopark e agentes como o IPCB e as entidades regionais de turismo propõe um modelo de ação que combina formação, inovação turística e conservação.
| Entidade | Representante |
|---|---|
| Naturtejo | Armindo Jacinto |
| IPCB | Luís Farinha |
| Câmara Municipal de Idanha-a-Nova | Elza Gonçalves |
| Turismo Centro de Portugal | Anabela Freitas |
| ESGIN | Sandra Teixeira |
Para além do impacto imediato na promoção do território, a publicação do guia insere-se numa estratégia de médio prazo: consolidar rotas que respeitem práticas de turismo sustentável e potenciar sinergias com iniciativas transfronteiriças, como a presença da Factor Ocio | Extremadura no painel. A aposta em rotas interpretativas e em materiais de apoio dirigidos a visitantes pode ainda abrir espaço a projetos formativos e de emprego local ligados à receção, guia e interpretação do património.
O lançamento do guia, integrado nas festividades da Feira Raiana, reforça a relação entre cultura local, património natural e desenvolvimento económico. Para os residentes, o desafio será transformar essa visibilidade em benefícios duradouros: mais serviços, maior qualificação profissional no setor e uma oferta turística que respeite os valores de conservação que deram origem ao Geopark.