Projeto de habitação popular aposta em natureza e conveniências
Na Bahia, iniciativas recentes do sector da construção estão a trazer para a habitação social componentes que até há pouco eram associados sobretudo a empreendimentos de maior rendimento: áreas verdes, zonas de convívio e equipamentos de lazer. A estratégia pretende melhorar a qualidade de vida dos moradores e integrar soluções urbanísticas que facilitem a mobilidade e o contacto com a natureza.
Um dos exemplos destacados é a Cidade Sete Sóis Paralela, em Salvador, descrita como a primeira SmartCidade do promotor no Brasil. O complexo dispõe de uma área preservada de 74.000 m² dedicada a espaços verdes — o equivalente a cerca de dez campos de futebol — e prevê mais de 4.500 habitações distribuídas por 12 condomínios. O desenho paisagístico foi concebido em conjunto com o ICLEI e incorpora práticas reconhecidas como Soluções Baseadas na Natureza, uma abordagem que privilegia benefícios ambientais e sociais.
Em continuidade ao projecto, está em preparação o lançamento do Parque dos Monarcas, o oitavo empreendimento da Cidade Sete Sóis Paralela. Este condomínio destina-se especificamente às faixas 2 e 3 do programa governamental de habitação, num terreno com 18.400 m², e incluirá 380 unidades de dois quartos, algumas com área privativa e opções adaptáveis para Pessoas com Deficiência (PCD). A oferta de infraestruturas contempla ainda piscinas, salão de festas, espaço gourmet, playgrounds, área fitness exterior e um pomar, além de 427 vagas de estacionamento.
"Existe uma mudança na forma como as famílias enxergam a moradia. O apartamento continua sendo central, mas a experiência de viver naquele espaço também passa pelo entorno, pelas áreas de convivência e pela possibilidade de ter contato com ambientes mais verdes", afirmou Victor Von Flach, gestor de produção local da MRV.
O mesmo princípio é aplicado noutro projecto em Camaçari, o Solar das Árvores, onde a praça central foi desenhada com plantação de espécies nativas e preocupação em preservar formações rochosas existentes. A opção por elementos autóctones e pela conservação do que já existe no terreno reduz intervenções agressivas e promove identidade local.
- Bem-estar: áreas comuns pensadas para convívio e lazer.
- Acessibilidade: unidades adaptáveis e infraestrutura para PCD.
- Mobilidade: integração de ciclovias e espaços de circulação.
Estas iniciativas sinalizam uma tendência que pode influenciar a oferta de habitação económica no país: além do preço e da infraestrutura básica, o projecto urbano e os espaços exteriores ganham peso nas decisões das famílias. Para quem procura um imóvel nas faixas sociais abordadas, isto significa alternativas com mais equipamento comunitário e opções de lazer — factores que tornam a habitação não apenas um lugar para viver, mas um ambiente com maior qualidade de convivência.
| Projeto | Área verde / Terreno | Unidades | Vagas |
|---|---|---|---|
| Cidade Sete Sóis Paralela | 74.000 m² de área preservada | +4.500 | — |
| Parque dos Monarcas | 18.400 m² | 380 | 427 |
Quem acompanha o mercado imobiliário e as políticas públicas de habitação deve observar se esta integração entre meio ambiente e infraestruturas sociais se mantém e se expande para outros programas habitacionais. Para os moradores, o ganho será palpável: mais espaços de convívio, contacto com a natureza e facilidades que complementam a vivência quotidiana.