Um caso ocorrido no Lar do Monte, em Beja, voltou a pôr em causa práticas de acolhimento em lares da região depois de uma idosa de 96 anos ter sido deixada, por duas funcionárias da instituição, à porta da residência do filho. O episódio foi relatado no programa Dois às 10 e motivou a intervenção imediata das autoridades.
A tensão entre o familiar — identificado como Alfredo Riscado — e a direção do lar terá começado em maio, quando a utente sofreu uma pneumonia que obrigou a internamento hospitalar. Segundo o relato difundido, o filho apresentou uma reclamação no livro de queixas por alegada falta de cuidados. Em reação, a instituição terá tentado cessar a prestação do serviço, alegando que a utente e a família maltratavam os funcionários.
Testemunhas e terceiros chamaram as autoridades ao local no momento em que a idosa se encontrava à porta da residência do filho, o que levou a polícia a determinar a sua recondução imediata para o lar. Desde então, a família afirma estar impedida de visitar a utente e denuncia que a instituição se recusa a administrar a medicação prescrita.
“Uma pessoa não é um saco de batatas para eu chegar perto de um sítio à força”, afirmou a advogada que analisou o caso no programa, condenando a conduta da instituição.
A advogada Suzana Garcia, presente no programa, criticou o procedimento adotado pelo Lar do Monte ao qual chamou falta de fundamentação legal na eventual rescisão do contrato de prestação de cuidados. Em análise jurídica partilhada em estúdio, foi referido que a rescisão contratual exige formalização adequada, nomeadamente o envio de carta registada à utente ou ao seu responsável.
Implicações locais e questões a acompanhar
O caso levanta várias questões práticas e de política social aplicáveis a Beja e ao Alentejo: a necessidade de mecanismos de fiscalização de lares, a clarificação dos direitos dos utentes e familiares em situações de conflito e o papel das autoridades quando há risco imediato para pessoas vulneráveis. Para os residentes e famílias na região, salientam-se pontos a ter em conta:
- Registar formalmente reclamações nos livros de queixas e conservar comprovativos;
- Exigir informação escrita sobre a cessação de serviços e os fundamentos legais;
- Contactar autoridades competentes (Segurança Social, ASAE, polícia) se houver risco ou incumprimento de assistência médica;
- Procurar aconselhamento jurídico para clarificar direitos e procedimentos.
O episódio foi igualmente comentado por outros intervenientes do programa televisivo, que sublinharam a gravidade de deixar uma pessoa idosa à porta da casa do familiar. A reportagem citou a repórter Tânia Monteiro e o apresentador Cláudio Ramos, bem como críticas do inspetor-chefe da PJ Vítor Marques à conduta da instituição.
Perante os factos divulgados, resta acompanhar se haverá ações formais da Segurança Social ou de outras entidades reguladoras quanto ao Lar do Monte e qual será o desfecho das limitações de contacto entre família e utente. Para a população de Beja, este caso recorda a importância de vigilância e transparência nas respostas sociais dirigidas a pessoas idosas.
| Elemento | Facto conhecido |
|---|---|
| Instituição | Lar do Monte (Beja) |
| Idosa | 96 anos |
| Intervenientes citados | Filho (Alfredo Riscado), advogada Suzana Garcia, inspetor-chefe Vítor Marques, repórter Tânia Monteiro, apresentador Cláudio Ramos |
| Medidas iniciais | Intervenção policial e recondução da utente ao lar |