INEM quer apurar despacho de socorro que levantou críticas locais
O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) abriu um procedimento interno para clarificar as circunstâncias que motivaram o acionamento dos Bombeiros Voluntários de Guimarães para uma ocorrência de paragem cardiorrespiratória na vila das Taipas, no concelho de Guimarães, quando o corpo de bombeiros local se encontrava operacional e com meios disponíveis. A vítima, um homem de 48 anos, acabou por não resistir.
Segundo o INEM, a chamada para a situação de paragem cardiorrespiratória foi recebida às 12:52. Após triagem clínica do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), a ocorrência foi classificada como prioridade máxima (P1), com ativação de uma VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação) e de uma ambulância de emergência médica. A VMER de Guimarães foi acionada às 12:55 e a ambulância dos Bombeiros Voluntários de Guimarães às 12:58. Pelas 13:05 foi também ativada a equipa de psicólogos do INEM.
O timing e a escolha dos meios motivaram estranheza local porque os Bombeiros Voluntários das Taipas, cuja área de atuação cobre o endereço da ocorrência — Avenida dos Combatentes do Ultramar — teriam um tempo de chegada muito mais curto do que os meios de Guimarães. A distância entre o quartel de Guimarães e o local ronda os 9 quilómetros, traduzindo-se num tempo de resposta estimado de cerca de 14 minutos, enquanto os Bombeiros das Taipas têm um tempo de chegada estimado entre 3 a 5 minutos.
| Elemento | Registo |
|---|---|
| Chamada recebida | 12:52 |
| VMER acionada | 12:55 |
| Ambulância de Guimarães | 12:58 |
| Equipa de psicólogos | 13:05 |
| Distância quartel Guimarães – ocorrência | ~9 km (~14 min) |
| Tempo estimado chegada Taipas | 3–5 min |
O comandante em exercício dos Bombeiros Voluntários das Taipas, José Augusto Ferreira, disse estar estupefacto com a situação. Em declarações à agência Lusa afirmou:
“O CODU acionou diretamente os bombeiros de Guimarães em vez do nosso corpo de bombeiros, porque a área de atuação é nossa. Estamos operacionais e tínhamos os meios disponíveis.”
Os factos conhecidos apontam para uma intervenção coordenada pelo CODU, que prestou assistência telefónica ao contactante e orientou manobras de suporte básico de vida até à chegada dos meios. Ainda assim, a diferença nos tempos de resposta entre os corpos de bombeiros suscita interrogantes práticos sobre a gestão das prioridades e a alocação geográfica de meios em ocorrências de emergência no concelho.
Para os habitantes de Guimarães e das Taipas, a investigação do INEM pode clarificar procedimentos que afetam diretamente a rapidez do socorro em situações críticas. As potenciais consequências identificadas incluem:
- Revisão dos protocolos de despacho do CODU para ocorrências em áreas servidas por mais do que um corpo de bombeiros;
- Reforço da comunicação entre centros de orientação, corporações locais e VMER;
- Avaliação da necessidade de ajustes operacionais que privilegiem a redução dos tempos de chegada ao local.
O inquérito interno do INEM deverá apurar os elementos que justificaram a opção operacional, sem prejuízo de eventual responsabilização se se concluírem falhas processuais. Até ao fecho desta informação, não foram divulgados mais pormenores sobre o resultado das diligências ou sobre eventuais alterações práticas temporárias no despacho de meios para a área das Taipas.
Para os residentes, a investigação suscita uma dúvida central: como garantir que, em emergências de vida ou morte, são sempre despachados os meios com menor tempo de chegada, independentemente da sua origem administrativa? A resposta a essa pergunta determinará parte da confiança pública nos serviços de emergência locais.