Vigilância contínua e autonomia operacional
Um consórcio de investigação da Universidade de Leiria e Oeste, através do CIIC (Centro de Investigação em Informática e Comunicações), anunciou que ultrapassou a principal limitação do protótipo de drones de vigilância florestal desenvolvido no distrito: a curta duração da bateria. Enquanto o aparelho demonstrado na Lagoa da Ervedeira, em Junho do ano passado, dispunha apenas de 15 minutos de autonomia, a nova fase do projecto integra uma solução que permite a vigilância da floresta 24 horas por dia, sete dias por semana.
A inovação reside numa doca inteligente capaz de assegurar a aterragem automática, o carregamento das baterias e a descolagem subsequente sem intervenção humana. Em prática, o sistema opera com um conjunto de drones em que um aparelho sobrevoa a área enquanto outro permanece a recarregar, garantindo assim monitorização ininterrupta da zona coberta.
- Entidade responsável: CIIC, Universidade de Leiria e Oeste.
- Melhoria técnica: integração de uma doca inteligente e drones de última geração.
- Validação local: colaboração com o Comando Territorial de Leiria da GNR.
“Quando apresentámos os resultados do DBoidS, afirmámos que o fim do trabalho seria um ponto de partida e não um ponto de chegada. Foi precisamente isso que aconteceu.”
O investigador responsável, o professor catedrático António Pereira, sublinha que o projecto DBoidS evoluiu para uma solução totalmente autónoma, sustentada por novos equipamentos adquiridos após o término do financiamento inicial da FCT. Esse progresso foi orientado pelas necessidades reais das entidades com que a equipa colaborou, nomeadamente a GNR, cuja participação tem permitido validar e adaptar funcionalidades do sistema.
Para os residentes e proprietários de terrenos no distrito de Leiria, esta tecnologia traduz-se numa capacidade acrescida de detecção precoce de incidentes, particularmente fogos florestais, em áreas remotas ou difíceis de alcançar. A vigilância contínua pode permitir alertas mais rápidos às equipas de intervenção, reduzir tempos mortos de monitorização e optimizar a gestão de recursos humanos e materiais em operações de vigilância e prevenção.
| Característica | Situação anterior | Situação actual |
|---|---|---|
| Autonomia de voo | 15 minutos | Monitorização 24/7 (com rotações entre drones) |
| Operação | Prototipo com intervenção humana | Funcionamento totalmente autónomo |
| Validação local | Testes iniciais | Colaboração activa com GNR de Leiria |
Apesar dos avanços, a transição de um sistema demonstrativo para operações em larga escala envolve desafios logísticos e regulatórios que terão de ser tratados com as autoridades locais: definição de áreas de patrulha, integração com os serviços de proteção civil e segurança aérea, e garantias relativas à privacidade das populações. A equipa refere que o desenvolvimento prossegue e que o resultado até agora é um ponto de partida para aplicações práticas.
A concretização deste sistema em território do distrito poderá influenciar tanto estratégias de vigilância preventiva como os planos de resposta a incêndios, sobretudo nos meses de maior risco. A implementação prática e a eventual expansão do projecto dependerão da validação operacional contínua e de acordos formais com entidades responsáveis pela proteção da floresta e segurança pública.