Tradição centenária em destaque
A recente Feira do Chocalho em Alcáçovas voltou a sublinhar a importância de um ofício tradicional português que, embora concentrado no Alentejo, levanta questões pertinentes para comunidades urbanas como a Maia. A chocalharia foi classificada em 1 de dezembro de 2015 na lista do Património Cultural Imaterial da UNESCO como elemento que necessita de salvaguarda urgente, um estatuto que chama a atenção para a fragilidade de saberes artesanais transmitidos de geração em geração.
Um mestre e o ofício que persiste
Entre os protagonistas da feira esteve José Luís Maia, conhecido pelo apelido «Zé Pardalinho», que demonstrou ao público a fabricação de um chocalho, martelando a folha de ferro até nascer a peça. Hoje com 82 anos e com uma vida dedicada a esta arte — são 74 anos de prática —, José Luís personifica a continuidade de um saber-fazer que aprendeu com um tio materno e ao qual se entregou full‑time desde os 11 anos, quando deixou a escola.
- Origem: Alcáçovas, centro histórico da chocalharia portuguesa.
- Reconhecimento: inscrita na lista da UNESCO em 2015.
- Exemplo vivo: demonstração pública por mestre com 74 anos de experiência.
“Há vários tipos de chocalhos e vários sons. Cada um tem a sua identidade.”
A frase, dita pelo artesão durante a demonstração, ilustra dois aspetos fundamentais: a diversidade técnica da chocalharia e o valor identitário de cada peça. Para a Maia, município com forte vida associativa e movimentos culturais, este tipo de expressão material e sonora representa um modelo para programas de educação patrimonial, oficinas e projetos intergeracionais.
| Facto | Valor |
|---|---|
| Idade do mestre | 82 anos |
| Tempo de atividade | 74 anos |
| Data de inscrição UNESCO | 1 de dezembro de 2015 |
Além do cariz etnográfico, a chocalharia traz questões práticas sobre formação e sustentabilidade económica dos artesãos. Em cidades da Área Metropolitana do Porto, incluindo a Maia, organizações culturais e escolas podem aproveitar o exemplo alentejano para promover ações que assegurem a transmissão de técnicas artesanais: residências artísticas, parcerias com museus locais ou cursos nas escolas profissionais.
Para os habitantes da Maia, a visibilidade dada a mestres como José Luís Maia recorda que a preservação do património imaterial depende tanto de medidas oficiais de salvaguarda como de iniciativas comunitárias que valorizem ofícios e incentivem o intercâmbio entre gerações. Projetos concertados entre câmaras municipais, instituições de ensino e associações culturais são caminhos possíveis para que saberes tradicionais não desapareçam.
Em suma, a feira em Alcáçovas e a demonstração de um artesão com décadas de experiência reforçam a urgência de pensar políticas locais que fomentem a continuidade de ofícios tradicionais — uma lição aplicável também às políticas culturais e educativas da Maia.