Autarquia prefere análise metropolitana antes de tomar decisão sobre gratuidades
O presidente da Câmara Municipal da Maia, António Silva Tiago, considerou esta semana que o concelho tem condições para seguir o exemplo do Porto na implementação de transportes públicos gratuitos, mas afirmou que não pretende tomar uma decisão isolada e que prefere aguardar os resultados do estudo encomendado pela Área Metropolitana do Porto (AMP).
Em entrevista ao JN e à TSF, o autarca justificou a posição com a necessidade de harmonização entre municípios e de avaliação dos efeitos práticos da medida. Sobre a proposta em causa, Silva Tiago resumiu a sua visão numa fórmula clara:
"A Maia pode, mas acho que neste momento não deve e por isso não o fez."
A posição do município traduz a cautela face a decisões que têm impacto orçamental e operacional em serviços de transporte cuja gestão e financiamento envolvem múltiplos actores na área metropolitana.
Segunda linha de metro
Quanto à segunda linha de metro que atravessa a Maia, ligando o Hospital de São João ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro e passando pelo centro da cidade, o presidente garantiu que a obra «vai avante». Silva Tiago disse dispor de garantias políticas dos dois primeiros-ministros — do anterior e do actual — e indicou que o lançamento de concursos para esta e outra linha está previsto depois da conclusão dos concursos internacionais já em curso para Gondomar e Trofa.
Sobre a solução técnica, o município rejeita alternativas ao metro ligeiro, recorrendo explicitamente a essa opção em detrimento do sistema BRT (metrobus). Quanto ao calendário, o autarca apontou um horizonte de implantação se os prazos forem cumpridos:
| Item | Descrição |
|---|---|
| Trajecto | Hospital de São João – Centro da Maia – Aeroporto Francisco Sá Carneiro |
| Solução técnica | Metro ligeiro |
| Prazo estimado | 2032/2033 (se não houver atrasos) |
O autarca afirmou que, no ano seguinte à abertura dos concursos em curso, as candidaturas relativas à Maia e à linha para São Mamede de Infesta estarão «na calha» para lançamento de concursos públicos. Reforçou assim a expectativa de continuidade do projecto desde que o Governo e o Ministério das Infraestruturas e da Habitação cumpram os compromissos assumidos.
Impacto local e questões abertas
- Decisão sobre gratuidades condicionada pela conclusão do estudo da AMP, cujo princípio de avaliação procura medir benefícios e custos partilhados entre autarquias.
- Confirmação da preferência municipal pelo metro ligeiro condiciona opções técnicas e de investimento para a mobilidade no concelho.
- Calendário anunciado (2032/2033) depende do cumprimento de compromissos governamentais e da ausência de atrasos nos concursos e projectos de engenharia.
Para os habitantes da Maia, as decisões anunciadas significam que, no curto prazo, não haverá mudança imediata no acesso gratuito aos transportes. A confirmação do avanço da segunda linha de metro traz uma perspectiva de alteração estrutural da mobilidade no médio prazo, com consequências para o trânsito local, estacionamento e desenvolvimento urbano, dependentes agora da execução atempada dos concursos e da obra.