Instalações apontadas como inadequadas por sindicato
Está prevista para agosto a transferência do Pólo da Figueira da Foz do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD) para o edifício do Centro de Diagnóstico Pneumológico (CDP), propriedade do município. Contudo, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) informou o conselho diretivo do instituto de que as novas instalações não cumprem os requisitos essenciais para a actividade clínica e para a segurança de profissionais e utentes.
"não reúne as condições de salubridade e de segurança necessárias"
O SEP descreve problemas estruturais considerados graves, como a existência de fendas, um telhado em risco e infiltrações em gabinetes que serviriam para consultas. Relata ainda paredes com colónias de fungos persistentes apesar de limpezas recentes. Estas condicionantes já teriam levado outros serviços, como consultas de nutrição e o núcleo de apoio à paramiloidose, a abandonar o edifício anteriormente.
- Espaço insuficiente para técnicos e para os cerca de 600 utentes ativos do pólo;
- Falta de áreas essenciais, incluindo sala de reuniões e local para refeições;
- Instalações sanitárias limitadas, apenas uma casa de banho para técnicos e outra para utentes, sem WC adaptado para pessoas com mobilidade reduzida;
- Ausência de saída de emergência e problemas de compartimentação que põem em causa a privacidade nas salas de espera.
Para além das questões físicas, os enfermeiros sublinham riscos operacionais: o CDP continua a receber doentes com diagnóstico de tuberculose pulmonar, o que poderá expor a equipa e os utentes do ICAD. A configuração das salas não permite uma separação eficaz entre equipas de tratamento e de prevenção na sala de espera, comprometendo a confidencialidade e a proteção de dados pessoais em contexto de consultas.
Impacto local e próximos passos
Para a população da Figueira da Foz, as preocupações levantadas pelo SEP traduzem-se em dois efeitos concretos: potencial degradação da qualidade do atendimento a quem recorre ao ICAD e riscos acrescidos para a segurança sanitária. A transferência para o edifício municipal tinha por objetivo manter o serviço local; no entanto, se as irregularidades apontadas se confirmarem, poderá ser necessária a procura de alternativas ou obras de requalificação antes do início efetivo da atividade no novo espaço.
| Problema identificado | Consequência |
|---|---|
| Infiltrações e fungos | Risco para a saúde e inviabilização de consultas |
| Espaço insuficiente | Limitação do número de atendimentos e conforto |
| Falta de WC adaptado | Acesso comprometido para pessoas com mobilidade reduzida |
Até ao momento da publicação não há registo público de outra posição oficial por parte da Câmara Municipal nem do conselho diretivo do ICAD sobre as medidas corretivas previstas. A comunidade e os profissionais diretamente afetados aguardam esclarecimentos e soluções que garantam a continuidade do serviço com segurança e dignidade.
O caso coloca ainda questões sobre a gestão de espaços de saúde de utilização partilhada e sobre a prioridade de intervenções em equipamentos públicos, temas relevantes para utentes, trabalhadores e decisores locais na Figueira da Foz.