Autarquia financia estudo de diagnóstico e planeamento em saúde
A Câmara Municipal de Ourém aprovou a contratação de uma consultora para elaborar uma Estratégia Municipal de Saúde que terá como objectivo traçar o retrato actual dos cuidados no concelho, identificar lacunas e propor soluções concretas para orientar futuros investimentos. O trabalho foi adjudicado à BIZFUTURE Services, Lda. e tem um prazo de execução de 12 meses, conforme deliberado na reunião de 20 de Julho.
A iniciativa surge num contexto em que a carência de profissionais de saúde afeta um número significativo de habitantes: em Julho de 2025, cerca de 18.000 utentes estavam sem médico de família atribuído. Essa situação levou a autarquia a promover respostas temporárias e complementares, mas sem uma solução estrutural consolidada.
- Projecto “Bata Branca”: financiado pela Câmara, em articulação com serviços de saúde e a Santa Casa da Misericórdia de Fátima-Ourém.
- Consultas realizadas em 2025: cerca de 15.500.
- Teleconsultas: o Centro de Saúde garantiu 3.500 até final de Novembro de 2025.
- Balcões SNS 24: foram abertos 6 pontos de apoio no concelho.
O estudo será acompanhado pela autarquia, que validará as várias fases do trabalho e usará os resultados para priorizar intervenções, decidir locais de investimento e exigir respostas mais duradouras junto das entidades competentes. A intenção da Câmara é passar de soluções de recurso para um planeamento sustentado que permita melhorar o acesso aos cuidados primários em Ourém.
Luís Miguel Albuquerque considera que a estratégia dará ao município uma base técnica para decidir onde investir e exigir respostas duradouras.
As medidas implementadas até agora demonstram esforços de mitigação, mas também evidenciam limites operacionais. O projecto “Bata Branca”, financiado pelo município com parceiros locais, assegurou milhares de consultas presenciais e teleconsultas, e as extensões de saúde passaram a ter reforço de atendimento médico pelo menos uma vez por semana. Ainda assim, a falta de médicos e enfermeiros, a necessidade de requalificação do Centro de Saúde e o pedido de retorno de um Serviço de Atendimento Permanente permanecem entre as reivindicações levantadas pela população e pelas instituições locais.
Para os moradores de Ourém, a Estratégia Municipal de Saúde pode significar clarificação de prioridades e uma ferramenta técnica que legitime pedidos de financiamento e reforço de recursos junto do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES), da Administração Regional de Saúde e do Ministério da Saúde. A definição de locais prioritários de intervenção e de formas de organização do atendimento será determinante para reduzir listas de espera, aumentar a disponibilidade de consultas de família e reforçar serviços de urgência básica no concelho.
Além do impacto directo na qualidade de vida dos utentes, a estratégia tem implicações orçamentais e administrativas: os resultados do estudo deverão orientar onde e como a autarquia pode aplicar recursos próprios, quais investimentos reclamar em candidaturas externas e que acordos institucionais são necessários para garantir continuidade dos serviços. O prazo de um ano para produção do documento coloca a perspectiva de medidas estruturadas num horizonte a médio prazo, ficando à vista o desafio de traduzir recomendações em soluções concretas.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Utentes sem médico de família (Jul. 2025) | ~18.000 |
| Consultas realizadas (2025) | 15.500 |
| Teleconsultas (até Nov. 2025) | 3.500 |
| Balcões SNS 24 abertos | 6 |
O sucesso desta iniciativa dependerá da capacidade do município em usar a estratégia como instrumento de pressão e negociação junto das entidades de saúde regionais e nacionais, e em conjugar respostas locais que aumentem a atratividade do concelho para profissionais de saúde. Para já, a elaboração do documento representa um passo técnico importante na tentativa de colmatar um problema que continua a ter reflexos diários para milhares de residentes de Ourém.