PCP defende manutenção pública do hospital em Seia
A Direção da Organização Regional da Guarda (DORG) do PCP manifestou-se esta semana contrária à possibilidade de transferência da gestão do Hospital Nossa Senhora da Assunção, em Seia, para a Santa Casa da Misericórdia local, defendendo que a unidade deve permanecer integrada no Serviço Nacional de Saúde (SNS). A posição, divulgada em comunicado, coloca o foco nas consequências para o acesso aos cuidados de saúde e para os profissionais que ali trabalham.
Segundo o comunicado, o hospital, criado em 1992, presta cuidados a mais de 80 000 utentes oriundos dos concelhos de Seia, Gouveia, Fornos de Algodres e Oliveira do Hospital. O PCP alerta para aquilo que classifica como um processo que traduz uma “privatização encapotada” e acusa o Governo de, através desta opção, promover uma desresponsabilização do Estado na garantia do direito à saúde.
“Uma estratégia de destruição do Serviço Nacional de Saúde”
Os comunistas defendem que, em vez de alterar o modelo de gestão, a prioridade deve passar pelo reforço das valências já existentes no hospital. No documento são mencionadas explicitamente a necessidade de recuperar especialidades como cardiologia, ortopedia e fisiatria, bem como o aumento da capacidade de internamento e a melhor utilização do bloco operatório, hoje subaproveitado.
O PCP manifesta ainda preocupação com os efeitos sobre os cerca de 250 trabalhadores da unidade, assim como com a salvaguarda dos investimentos públicos feitos ao longo dos anos no edifício e nos equipamentos. A DORG recorda que, nos últimos anos, se tem verificado perda de profissionais e redução de valências, tendência que teme ver aprofundada caso avance a alteração de gestão.
- Unidade criada em 1992 para melhorar o acesso no Interior;
- Serviço a mais de 80 000 utentes de quatro concelhos;
- Preocupação com cerca de 250 trabalhadores e investimentos públicos.
O comunicado sustenta que o processo decorre, alegadamente, sem o envolvimento dos profissionais de saúde, das estruturas representativas dos trabalhadores nem dos utentes, o que suscita críticas à transparência e ao debate público em torno do futuro da gestão da unidade. A DORG do PCP apela ao reforço das valências no quadro público, defendendo que só a gestão pública garante a universalidade e a gratuitidade que caracterizam o SNS.
Para contextualizar o impacto directo no terreno, apresenta-se o quadro seguinte com os números referidos pelo partido:
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Utentes servidos | 80 000+ |
| Trabalhadores no hospital | ~250 |
| Ano de criação | 1992 |
O futuro da gestão do hospital permanece, por enquanto, envolto em incerteza. A posição do PCP acrescenta pressão política para que qualquer decisão seja precedida de debate público e garantias quanto à manutenção das respostas assistenciais na região. Para os habitantes de Seia e dos concelhos abrangidos, as preocupações centram-se no acesso a especialidades, na capacidade de internamento e na continuidade dos profissionais que asseguram os cuidados.
Perante as reivindicações do PCP, a comunidade local aguarda pronúncias oficiais do Governo e da administração hospitalar, bem como esclarecimentos sobre eventuais planos de reorganização que possam afetar a oferta de serviços e a estrutura de recursos humanos na unidade.