Medida urgente para desbloquear mercado da madeira e evitar coimas
A Câmara Municipal de Pombal decidiu criar três parques temporários destinados ao armazenamento de madeira caída na sequência da tempestade Kristin. As áreas apontadas para estes equipamentos situam-se na Guia (oeste), em Pombal (centro) e em Santiago de Litém (sul) e visam aliviar a pressão sobre pequenos proprietários que, diante do excesso de oferta, não conseguem escoar o produto.
Fonte municipal adianta que a iniciativa responde a um quadro de crise na fileira florestal local: madeireiros têm recusado compras ou oferecido preços muito baixos, deixando muitos donos de terrenos — muitos de idade avançada e sem meios — incapazes de proceder à limpeza necessária, com o risco acrescido de serem alvo de coimas por incumprimento das obrigações de gestão da propriedade.
“A venda do material lenhoso está completamente em colapso. Os madeireiros quase a preço zero, não querem comprar a lenha”
O executivo local já integrou esta intervenção numa candidatura aprovada no âmbito das Operações Integradas de Gestão da Paisagem (OIGP), cujo montante total é de 8,5 milhões de euros. Para além da construção e logística dos parques, os fundos destinam-se a colmatar outras necessidades na gestão florestal do concelho.
Paralelamente ao investimento físico, a autarquia prepara uma estrutura de apoio técnico para acompanhar os pequenos proprietários, desenvolvida em colaboração com a Associação de Produtores Florestais. O objetivo é facilitar a remoção e o transporte do material lenhoso e reduzir a sobrecarga administrativa para quem já se encontra em situação de fragilidade.
- Localizações previstas: Guia, Pombal (centro), Santiago de Litém.
- Financiamento: 8,5 milhões de euros via OIGP, destinado a várias ações de gestão da paisagem.
- Complemento: criação de um serviço técnico de apoio para pequenos proprietários.
| Parque | Local | Estado |
|---|---|---|
| Parque A | Guia (oeste) | Fase de orçamentação |
| Parque B | Pombal (centro) | Fase de orçamentação |
| Parque C | Santiago de Litém (sul) | Fase de orçamentação |
O vereador que levantou a questão no executivo destacou a vulnerabilidade dos pequenos produtores e pediu acompanhamento personalizado para evitar que a complexidade burocrática se torne mais um entrave. O presidente da câmara ressalvou que os grandes proprietários dispõem de estruturas de apoio que lhes permitem aceder mais rapidamente a soluções, razão pela qual o enfoque da ação municipal incide sobre as fragilidades do segmento mais pequeno.
Para os habitantes do concelho, a medida representa uma tentativa de mitigar riscos imediatos — como o acúmulo de combustível e as potenciais coimas —, bem como uma oportunidade para organizar o escoamento da lenha de forma mais segura e coordenada. Nos próximos meses espera-se a publicação dos orçamentos e os prazos para montagem dos parques, bem como a definição das condições de acesso para os proprietários.