Fecho anunciado e sem alternativa preocupa hortelãos do Porto
A entidade proprietária dos terrenos do Hospital Conde Ferreira, a Misericórdia do Porto, comunicou aos mais de 230 hortelãos que o espaço onde funciona o projeto de hortas sociais encerra em outubro. O terreno integra o programa Horta à Porta, promovido pela Lipor, e tem sido apresentado como um dos maiores projectos europeus do género.
Segundo a carta enviada a 29 de maio, citada em comunicado, a Misericórdia justifica a decisão com a necessidade de “rentabilização dos activos da SCMP como fonte de rendimento para as suas múltiplas obras sociais e assistenciais”. A entidade reconhece ainda que o projeto tem cumprido objetivos relacionados com práticas agrícolas sustentáveis e com a formação dos utilizadores, mas não apresentou até ao momento alternativas para a continuidade dos talhões nem um plano concreto para os terrenos.
“Este é um projeto que se destaca pela sua importância ambiental, social e terapêutica… para estas pessoas, muitas delas idosas, as hortas são essenciais para a saúde física e mental, pelo que este desfecho constitui um grave prejuízo.”
O protesto realizado no local contou com hortelãos e apoiantes que exigem respostas claras sobre o futuro dos espaços e dos talhões. Os utilizadores referem que muitos dependem da atividade para fins terapêuticos, de lazer e de subsistência, e sublinham o papel do projeto desde 2015 na dinamização de práticas de agricultura biológica e na inclusão de vários públicos, incluindo doentes do centro hospitalar.
- Terrenos disponíveis desde: 2015
- Área aproximada: até 5 hectares
- Talhões anunciados originalmente: 286
Para além do impacto direto nos hortelãos, o encerramento levanta questões sobre a gestão de bens patrimoniais com funções sociais no Porto e sobre o equilíbrio entre iniciativas de caráter público-comunitário e estratégias de monetização dos ativos por parte de instituições com obrigações assistenciais. A falta de um projeto alternativo ou de medidas de transição amplia a incerteza entre os utilizadores.
Instituições locais, utilizadores e movimentos sociais poderão acompanhar esta decisão com pedidos de esclarecimento e propostas para salvaguardar a continuidade de práticas agrícolas e de terapêutica comunitária na cidade. A evolução do caso será determinante para definir se os hortelãos terão tempo e opções para realojar as suas atividades antes do prazo de outubro.