Desde a implementação do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), em 10 de abril de 2026, a Câmara do Porto reporta um incremento nas ocorrências em que os contentores são remexidos e, por vezes, despejados na via pública. A empresa municipal Porto Ambiente tem sido chamada a fazer intervenções suplementares para recolher resíduos dispersos e reparar contentores vandalizados.
Impactos operacionais e ambientais
Segundo resposta oficial do município à Lusa, estas situações obrigam a uma resposta adicional das equipas de limpeza e têm consequências para o encaminhamento dos resíduos. Quando os materiais recolhidos após estes incidentes já não se encontram separados de forma adequada, deixam de poder ser encaminhados como recolha seletiva e passam a ser considerados resíduos indiferenciados, com impacto negativo nas métricas de reciclagem e com custos acrescidos de tratamento.
"A empresa municipal Porto Ambiente tem registado situações em que contentores são remexidos, despejados na via pública e, em alguns casos, vandalizados, para retirada de garrafas e latas abrangidas pelo sistema de depósito"
O município esclarece, porém, que essa maior incidência de contentores remexidos não se traduziu numa redução das quantidades de embalagens recolhidas no Porto: entre a entrada em vigor do SDR e o final de junho verificou-se uma evolução em linha com o período homólogo de 2025, com um aumento ligeiro de cerca de 4 toneladas.
Dados do sistema de recolha residencial
O Porto mantém também o projeto Recolha Porta a Porta Residencial, que abrange papel/cartão, plástico/metal, vidro e orgânicos, além dos indiferenciados em habitações unifamiliares. Este projeto registou um acréscimo de 8% nas embalagens recolhidas no mesmo período.
| Indicador | Variação (período SDR: 10 abr – final jun) |
|---|---|
| Embalagens recolhidas (total Porto) | +~4 toneladas |
| Embalagens (Porta a Porta Residencial) | +8% |
Para os moradores, os efeitos práticos passam por ruas com mais resíduos dispersos e, em certos locais, por contentores danificados que deixam de estar disponíveis até à sua reparação. Para a autarquia e para a Porto Ambiente, a consequência traduz-se em custos operacionais adicionais e em indicadores de reciclagem potencialmente penalizados quando os materiais deixam de ser aproveitados como seletivos.
- As ocorrências têm aumentado desde a entrada em vigor do SDR em 10 de abril de 2026.
- As equipas da Porto Ambiente realizam intervenções suplementares para limpeza e reparação.
- O total de embalagens recolhidas no Porto manteve-se estável, com um ligeiro aumento de cerca de 4 toneladas.
Perante estes factos, a resposta municipal centra-se na monitorização das ocorrências e na ação das equipas de limpeza. Resta acompanhar se medidas adicionais de proteção dos contentores, campanhas de sensibilização ou ajustes no sistema de recolha serão adotados para mitigar os impactos operacionais e ambientais verificados nas próximas semanas.