As recordações de uma família que, ao longo de três gerações, investiu no Porto Santo resumem uma visão partilhada por muitos: a ilha tem um potencial notório, ainda por concretizar. O balanço desse percurso — construção do porto, aquisição de navios de travessia, extensão da pista do aeroporto e reforço das telecomunicações — mostra intervenções estruturais que reduziram o isolamento e melhoraram as condições de vida da população.
Contudo, o desafio actual já não é apenas garantir acessibilidades e serviços básicos. Trata‑se de promover uma economia sustentável que assegure rendimentos duradouros para os residentes. A passagem citada de um responsável local sublinha essa mudança de prioridades: deixou de bastar «dar peixe»; é necessário fornecer as «canas de pesca» — isto é, criar oportunidades económicas reais e capacidade para as aproveitar.
Da infraestrutura à economia local
As obras realizadas nas últimas décadas constituem uma base indispensável. A disponibilidade de um porto funcional, ligações aéreas regulares e telecomunicações adequadas são pré‑requisitos para qualquer estratégia de desenvolvimento. Mas, na ausência de políticas activas de fomento empresarial, formação profissional e atração de investimento responsável, esses activos correm o risco de ficar subaproveitados.
Entre os riscos apontados está a ausência de uma governação com critérios claros: a fragmentação política e a falta de uma coordenação estável podem condicionar decisões e dispersar recursos. Por isso, a proposta central é que o futuro económico do Porto Santo assente numa administração que combine rigor técnico com paixão pelo território, assegurando prioridades e evitando improvisos.
- Prioridade: transformar infraestruturas em actividades económicas.
- Medida: apoio a PME locais e formação alinhada com sectores estratégicos (turismo sustentável, mar, energias renováveis).
- Governança: definição de um plano de desenvolvimento com metas claras e acompanhamento independente.
Os investimentos mencionados no passado abriram portas; o desafio presente é convertê‑los em rendimento para quem vive na ilha. Sem inventar soluções milagrosas, a experiência demonstra que a conjugação de infraestruturas, políticas públicas orientadas e envolvimento da comunidade são condições decisivas para que o Porto Santo deixe de ser apenas «a terra do futuro» e se torne um caso prático de desenvolvimento sustentável.
| Intervenção | Impacto referido |
|---|---|
| Construção do porto | Redução do isolamento e melhoria das ligações marítimas |
| Navios de travessia | Facilitação do transporte de pessoas e bens |
| Pista aeroportuária | Aumento da mobilidade aérea e turismo |
| Telecomunicações | Conectividade essencial para serviços e negócios |