STCP admite adaptação operacional mas alerta para limites físicos da cidade
A Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) afirmou hoje estar pronta para adaptar o serviço face à proposta de gratuitidade para residentes anunciada pela Câmara do Porto, mas sublinhou que essa adaptação não passa por uma simples ampliação de frota em locais já saturados.
Na abertura da iniciativa Entre Linhas - Festa do Ferroviário, no Fórum Cultural de Ermesinde, o presidente da STCP, Luís Osório, disse que a empresa não tem «certezas absolutas», mas que está preparada sobretudo para modificar a operação de forma a responder às novas condições impostas pela medida municipal.
«Não tenho certezas absolutas, mas a STCP está preparada, sobretudo para adaptar. Não é para comprar e meter mais 20 autocarros num sítio onde já não cabe um.»
Osório enfatizou que a solução eficaz passa por melhorar a circulação e o desempenho dos veículos já em operação: «o que eu tenho de fazer é que os que andam, andem melhor. Isso sim é uma solução». A posição ressalta a preocupação com a limitação de espaço no tecido urbano do Porto e com os efeitos secundários de simplesmente adicionar veículos em horas de pico.
Para a STCP, a medida com maior impacto operacional será a criação de mais 6 quilómetros de faixas BUS anunciada pela Câmara, que se juntarão aos 16 quilómetros existentes no concelho — um acréscimo que, em termos percentuais, é considerado significativo pela transportadora.
- Gratuitidade para portadores do Cartão Porto anunciada pela Câmara do Porto;
- Ampliação de 6 km de faixas BUS na cidade até ao final do ano;
- STCP aponta para estratégias de otimização operacional em vez de aumento indiscriminado de veículos.
O responsável admitiu também que medidas de restrição ao trânsito automóvel poderão acompanhar a gratuitidade, dado que, com o pagamento removido, «já existe a facilidade das pessoas não terem a desculpa de que vão pagar pelos transportes». Ainda assim, recusou afirmar que o centro do Porto ficará totalmente livre de automóveis.
Questionado sobre a substituição de lugares de estacionamento por faixas BUS, Osório reconheceu a complexidade política do processo: «tudo que seja decisões de substituir algo por algo, é sempre difícil porque alguém fica sempre chateado». Afirmou, porém, que a execução dos novos seis quilómetros de faixas demonstra a capacidade política para tomar essas decisões.
| Item | Valor |
|---|---|
| Faixas BUS existentes | 16 km |
| Faixas BUS a acrescentar | 6 km |
O anúncio da gratuitidade para residentes e a expansão das faixas BUS implicam consequências práticas imediatas para os munícipes: alteração de fluxos de tráfego, eventuais conflitos no estacionamento e a necessidade de reordenamento de horários e percursos da STCP. Para os utilizadores, as mudanças prometem reduzir o custo direto das deslocações e, potencialmente, melhorar a velocidade comercial dos serviços se as faixas BUS forem eficazmente implementadas.
O debate sobre a melhor combinação entre medidas operacionais (melhorar frequências, reorganizar percursos) e políticas urbanísticas (faixas BUS, restrições de circulação e remodelação do estacionamento) deverá intensificar‑se nas próximas semanas, à medida que forem sendo conhecidos os pormenores técnicos e os cronogramas de execução por parte da Câmara e da STCP.