Na cidade da Praia, durante o lançamento do projecto ReLiMa – Redução do Lixo Marinho em Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento do Atlântico, o presidente da Associação para a Defesa do Ambiente e Desenvolvimento (ADAD), Januário Nascimento, sublinhou que a melhoria da gestão do lixo em Cabo Verde exige muito mais do que a aprovação de leis sobre plástico.
Um problema multifacetado que pede coordenação
À margem do workshop, o dirigente afirmou que a problemática dos resíduos tem dimensões técnicas, financeiras e institucionais que não se resolvem apenas com legislação específica. Nesse enquadramento, Nascimento defendeu que os recursos dos fundos do Ambiente e do Turismo devem ser explicitamente canalizados para investimentos em saneamento, uma medida que considerou essencial para reduzir a quantidade de lixo que chega ao mar.
O responsável elogiou a iniciativa da Associação Nacional dos Municípios de declarar 2026 como Ano do Saneamento, interpretando-a como uma oportunidade para concentrar esforços e reforçar a capacidade local para a gestão de resíduos. Mas advertiu que sem uma articulação mais estreita entre actores — associações ambientais, sector privado, Governo, Assembleia Nacional, Presidência da República e parceiros internacionais — os esforços correm o risco de se dispersar.
“O ambiente é global”
Referindo-se especificamente à ilha de Santa Luzia, apontada entre as mais impactadas pelo lixo marinho, Januário Nascimento pediu uma maior cooperação entre organizações e anunciantes de projectos, defendendo que só uma estratégia concertada permitirá otimizar recursos e evitar duplicações de acções e gastos.
Comunicação e sensibilização como parte da solução
O presidente da ADAD também destacou o papel da comunicação social na divulgação de projectos e na mudança de comportamentos: a sensibilização das populações é, na sua opinião, uma peça-chave para reduzir a produção de resíduos e melhorar práticas de deposição e reciclagem.
- Apelo à utilização de fundos do Ambiente e Turismo para saneamento;
- Necessidade de coordenação entre entidades públicas, privadas e organizações da sociedade civil;
- Importância da comunicação social na sensibilização para o problema do lixo marinho.
| Actor | Papel proposto |
|---|---|
| Governo e Presidência | Política e coordenação nacional |
| Assembleia Nacional | Legislar e fiscalizar |
| Municípios | Implementação local e saneamento |
| Associações ambientais | Monitorização e projectos de campo |
| Sector privado e parceiros internacionais | Financiamento e tecnologia |
O lançamento do projecto ReLiMa surge num contexto em que pequenos estados insulares do Atlântico enfrentam pressões acrescidas sobre os ecossistemas marinhos devido à fragilidade das infra-estruturas de gestão de resíduos. A mensagem central deixada na Praia foi clara: legislar sobre plásticos é necessário, mas insuficiente; é preciso investimento, planeamento e cooperação para traduzir normas em menos lixo nas praias e no mar.
Num cenário onde ilhas como Santa Luzia acumulam resíduos marinhos, a proposta de canalizar fundos sectoriais para saneamento e reforçar a articulação entre actores representa uma aposta pragmática. A eficácia dessas medidas dependerá, porém, da implementação concreta, da monitorização independente e da capacidade de transformar campanhas de sensibilização em mudanças duradouras nas práticas sociais e económicas.