Administração renuncia após chumbo à proposta de parceria
A direção da Santa Casa da Misericórdia de Serpa (SCMS) apresentou, na quarta‑feira passada, a demissão dos seus órgãos sociais na sequência da recusa por parte dos irmãos, em assembleia-geral extraordinária, da proposta de parceria estratégica com o Grupo LA Health. A decisão foi confirmada pela provedora, Maria Isabel Estevens, que entregou a renúncia ao presidente da assembleia-geral.
A proposta, apresentada como uma solução para acelerar a implementação da unidade médico-cirúrgica prevista para o Hospital de São Paulo, foi chumbada com 55 votos contra e 25 a favor. O documento submetido à votação contemplava a celebração de um contrato de gestão partilhada na área social e um contrato de mediação imobiliária e consultoria na área da saúde.
| Item | Valor |
|---|---|
| Votos contra | 55 |
| Votos a favor | 25 |
| Processo Especial de Revitalização (início) | 2025 |
Na sua explicação, citada pelo Diário do Alentejo, a provedora justificou a saída com "os últimos acontecimentos e outros fatores", sublinhando que a decisão foi tomada com grande tristeza, sobretudo tendo em conta que faltavam cerca de dois meses para o termo do mandato da administração.
"É uma medida de grande tristeza", disse Maria Isabel Estevens, segundo o jornal.
A oposição dos irmãos à parceria acontece num contexto em que a SCMS continua abrangida por um Processo Especial de Revitalização (PER), iniciado em 2025, cujo desfecho e execução exigem continuidade e esforços de gestão. A provedora acusou ainda a União das Misericórdias Portuguesas de não ter retomado um acordo de gestão anteriormente prometido, circunstância que motivou a administração a procurar alternativas externas.
Para os habitantes de Serpa, a demissão coloca questões imediatas sobre a operacionalidade e sustentabilidade do Hospital de São Paulo e dos serviços sociais geridos pela Misericórdia. Entre as consequências práticas destacam-se:
- Adiar ou colocar em risco a instalação rápida da unidade médico-cirúrgica prevista;
- Incerteza sobre a continuidade de projetos e contratos em curso durante o PER;
- Necessidade de nova liderança para gerir recursos humanos e resposta aos utentes locais.
O episódio abre um período de transição na instituição, que terá de clarificar os próximos passos, nomeadamente a aceitação ou não de novas propostas de parceria e a forma como será assegurada a gestão corrente enquanto decorre o processo de revitalização. A comunidade, utentes e funcionários aguardam agora informações oficiais sobre prazos e soluções alternativas propostas pela assembleia-geral e pelos órgãos competentes.