A deputação do Partido Socialista dirigiu ao Governo um requerimento que denuncia a existência de um «insucesso» significativo no preenchimento das vagas médicas abertas para a Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Alentejo, medida que coloca em risco a capacidade de resposta dos serviços de saúde no distrito de Portalegre.
Resultados do concurso e consequências locais
O concurso nacional de recrutamento de médicos recém‑especialistas, da 1.ª época de 2026, anunciou um mapa global de 41 vagas para a ULS do Alto Alentejo, repartidas entre cuidados primários e serviços hospitalares. Dos postos previstos em Medicina Geral e Familiar, apenas 2 foram ocupados, o que corresponde a uma taxa de insucesso superior a 87%. Paralelamente, cinco vagas identificadas como prioritárias para centros de saúde em concelhos mais carenciados — entre os quais Alter do Chão, Avis, Castelo de Vide e Ponte de Sor/Montargil — ficaram totalmente por preencher.
“insucesso no preenchimento de vagas médicas na Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Alentejo”
No setor hospitalar, o cenário refletiu a mesma gravidade. A falta de candidatos levou a administração da ULS a lançar, em 3 de julho de 2026, um procedimento concursal alternativo com caráter de urgência máxima e um prazo extremamente curto de candidatura — apenas 5 dias úteis — para tentar recrutar diretamente 10 assistentes hospitalares para áreas críticas como Medicina Interna, Anestesiologia, Pediatria e Ginecologia/Obstetrícia.
Medidas locais e resposta dos municípios
Os deputados socialistas sublinham ainda que os municípios do Alto Alentejo disponibilizaram medidas destinadas a aumentar a atratividade das colocações, incluindo apoio à habitação e residência para profissionais de saúde. Apesar desses incentivos, as denúncias das vagas sem resposta mantêm‑se, evidenciando um problema que ultrapassa as compensações municipais e aponta para obstáculos mais amplos na fixação de profissionais no interior.
- Vagas totais anunciadas: 41
- Medicina Geral e Familiar: 16 anunciadas — 2 preenchidas
- Vagas prioritárias em concelhos carenciados: 5 — todas desertas
- Concursos hospitalares de urgência: 10 assistentes hospitalares visados
| Tipo | Anunciadas | Preenchidas |
|---|---|---|
| Medicina Geral e Familiar | 16 | 2 |
| Vagas prioritárias (centros de saúde) | 5 | 0 |
| Hospitalar (procedimento extraordinário) | 10 (alvo) | — |
Os deputados do PS, incluindo o primeiro subscritor Luís Moreira Testa, eleito pelo círculo de Portalegre, pedem ao Ministério da Saúde que esclareça que medidas urgentes e concretas estão a ser adotadas para mitigar esta realidade, nomeadamente quanto a políticas de atratividade, incentivos financeiros e estratégias de fixação a longo prazo para o interior.
Para a população do Alto Alentejo, as implicações são práticas: menor cobertura nos cuidados de saúde primários, maior pressão sobre os serviços hospitalares remanescentes e potencial aumento de tempos de espera e deslocações para consultas e urgências. A questão abre também um debate sobre a sustentabilidade das respostas de saúde no interior e sobre a eficácia das soluções temporárias quando persistem desequilíbrios estruturais na distribuição de profissionais no país.
Até ao fecho desta edição não houve resposta pública do Ministério da Saúde aos pedidos de esclarecimento enviados pelos deputados do PS, nem indicação de prazos para uma resolução abrangente do problema.