O Grupo Parlamentar do Partido Socialista, com iniciativa liderada por Luís Moreira Testa, apresentou uma pergunta ao Governo sobre o insucesso no preenchimento de vagas médicas na Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Alentejo. Os responsáveis alertam para um quadro preocupante que afeta o acesso aos cuidados primários e hospitalares em vários concelhos do distrito de Portalegre.
Vagas abertas e resultados
No concurso nacional de recrutamento para médicos recém‑especialistas da 1.ª época de 2026, a ULS do Alto Alentejo apresentou um mapa global com 41 vagas: 16 destinadas a Medicina Geral e Familiar e 25 para áreas hospitalares. O desfecho oficial, publicado em julho de 2026, ficou muito aquém do esperado, segundo os deputados do PS.
| Tipo | Vagas | Preenchidas |
|---|---|---|
| Cuidados de Saúde Primários (MGF) | 16 | 2 |
| Áreas Hospitalares | 25 | — |
Os parlamentares destacam que, entre as vagas de Medicina Geral e Familiar, apenas duas foram ocupadas, o que traduz uma taxa de insucesso superior a 87%. Ainda mais grave, apontam, foi a ausência total de candidatos para cinco posições qualificadas como carenciadas em centros de saúde de concelhos considerados críticos: Alter do Chão, Avis, Castelo de Vide e Ponte de Sor/Montargil, todos no distrito de Portalegre.
“No que diz respeito aos Cuidados de Saúde Primários, das 16 vagas abertas de Medicina Geral e Familiar, apenas duas foram preenchidas, resultando numa taxa de insucesso superior a 87%.”
Medidas adotadas e impacto local
Perante o insucesso do processo regular, o conselho de administração da ULS do Alto Alentejo lançou, a 3 de julho de 2026, um concurso alternativo com caráter de urgência para tentar atrair, em prazo muito reduzido, 10 assistentes hospitalares para especialidades essenciais como Medicina Interna, Anestesiologia, Pediatria e Ginecologia/Obstetrícia.
Os deputados do PS sublinham também o papel dos municípios da região, que têm disponibilizado medidas de apoio — nomeadamente em habitação — para aumentar a atratividade das colocação locais. Segundo a iniciativa parlamentar, essa intervenção municipal tem vindo a complementar, e em alguns aspetos a substituir, responsabilidades que competem ao Estado.
- Elevado número de vagas não preenchidas na ULS do Alto Alentejo;
- Centros de saúde de concelhos do distrito ficaram sem candidatos;
- Adopção de procedimento concursal extraordinário para suprir carências hospitalares.
Os deputados questionam o Ministério da Saúde sobre que avaliação político‑setorial faz da situação e que medidas urgentes de mitigação pretende implementar para garantir a presença de médicos nas unidades do distrito. A questão coloca em evidência a fragilidade da capacidade de fixação de clínicos recém‑especialistas em zonas com menor densidade populacional e as consequências práticas para os utentes locais: aumento de listas de espera, sobrecarga em serviços hospitalares e risco de redução de cuidados de proximidade.
Para as comunidades dos concelhos afetados, a disponibilidade de respostas médicas é um fator determinante da qualidade de vida e da atratividade territorial. A falta de profissionais, além de pressionar serviços existentes, obriga a reposicionamentos organizacionais e a medidas excecionais que não substituem a estabilidade trazida por colocações sustentadas.
O despacho parlamentar aguarda resposta do Ministério da Saúde, que deverá esclarecer prioridades e prazos para recuperar a capacidade de recrutamento e fixação de médicos no Alto Alentejo.