O relatório final do projecto Radar Social, promovido pela Câmara de Santarém, identificou 563 agregados familiares em situação de vulnerabilidade no concelho, resultado de um levantamento que envolveu 1.921 inquéritos realizados em todas as freguesias e faixas etárias. Destes, 535 já foram encaminhados para resposta pela rede social, segundo informação prestada na reunião do executivo municipal.
O estudo, integralmente financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, aponta as dificuldades económicas como o factor mais preponderante entre as fragilidades detectadas. A insuficiência de rendimentos para fazer face às despesas correntes e o aumento dos custos de habitação, energia, alimentação e saúde surgem como causas centrais de risco social e potenciadoras de outras problemáticas, como o isolamento e necessidades de cuidado domiciliário.
“As dificuldades associadas à insuficiência de rendimentos, à limitação da capacidade financeira para fazer face às despesas correntes e ao aumento dos custos associados à habitação, energia, alimentação e saúde surgem como factores centrais de risco social, condicionando a qualidade de vida e potenciando a acumulação de outras vulnerabilidades.”
Prioridades de intervenção
Na sequência do diagnóstico, a vereadora do Desenvolvimento Social, Teresa Ferreira, destacou o papel do Radar Social como instrumento de identificação e de encaminhamento. O documento sublinha três prioridades de intervenção para o concelho:
- Reforço do apoio domiciliário, para responder à crescente procura relacionada com doenças crónicas e limitações funcionais;
- Combate à pobreza, através de medidas de apoio económico e de melhoria do acesso a bens essenciais;
- Redução do isolamento, com iniciativas que promovam inclusão social e acompanhamento regular.
O relatório também chama a atenção para a dimensão da saúde como preocupação relevante: a prevalência de doenças crónicas, limitações físicas e situações de dependência funcional geram uma procura acrescida de apoio para a realização de actividades diárias. Essas necessidades, combinadas com fragilidades económicas, exigem respostas integradas entre serviços sociais, saúde e comunidade.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Inquéritos realizados | 1.921 |
| Agrupamentos sinalizados | 563 |
| Agrupamentos encaminhados | 535 |
Para os residentes do concelho, as implicações são práticas: quem enfrenta dificuldades económicas ou carece de apoio domiciliário deve procurar os serviços municipais ou as respostas da rede social local para avaliação e eventual inclusão em programas de apoio. A disponibilização de informação sobre os passos a seguir e os contactos úteis será determinante para transformar o diagnóstico em soluções concretas.
O Radar Social representa, assim, uma fotografia detalhada das necessidades sociais em Santarém, servindo de base para a definição de políticas e para o direccionamento de recursos. A eficácia das medidas dependente agora da capacidade de articulação entre a Câmara, unidades de saúde, instituições de solidariedade e técnicos sociais para responder rapidamente aos casos sinalizados.