O Relatório de Atividades de 2025 do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR) evidencia avanços na coordenação institucional e na capacidade operacional, mas alerta igualmente para um problema persistente: a vulnerabilidade estrutural da paisagem que continua a favorecer incêndios de grande dimensão.
Progresso na resposta, fragilidade na prevenção
Segundo o documento, em 2025 registaram-se 8.252 incêndios rurais — um dos valores mais baixos desde 2001 — e houve uma redução de cerca de 65% face à média do período 2001-2017 no número de ignições. Ainda assim, a área ardida aproximou-se de 271.000 hectares, o quarto valor mais elevado desde 2001, o que mostra um paradoxo: menos ignições, mas eventos mais catastróficos quando ocorrem.
O relatório aponta uma distribuição muito concentrada da área ardida: apenas 44 incêndios foram responsáveis por cerca de 91% dos hectares queimados em 2025. Para organizações como a Quercus, estes números demonstram que a aposta exclusiva no combate é insuficiente sem uma política de prevenção que transforme a paisagem.
- Coordenação institucional: melhorias registadas.
- Número de ignições: queda acentuada, tendência positiva.
- Área ardida: elevada, concentrada em poucas ocorrências de grande dimensão.
- Causa estrutural: abandono rural, continuidade de combustíveis e fraca gestão integrada.
O documento sublinha que o principal desafio é evitar que um reduzido conjunto de fogos evolua rapidamente para incidentes de grandes proporções, sobretudo em períodos de elevada perigosidade meteorológica. Nas serras do Centro, incluíndo áreas do distrito de Castelo Branco, esse risco é agravado por vastas manchas contínuas de eucalipto e pinheiro-bravo pouco geridas, que criam verdadeiros "mares de combustível".
Consequências locais e necessidade de medidas integradas
Para as populações do distrito de Castelo Branco, os dados implicam que a segurança não deve ser pensada apenas em termos de más respostas operacionais, mas numa transformação do uso do solo e na recuperação de mosaicos agrícolas e pastorais que quebrem a continuidade de combustível. A ausência de descontinuidades na paisagem aumenta a probabilidade de propagação rápida e dificulta a intervenção.
Medidas práticas que o relatório e as organizações ambientalistas defendem passam pela gestão contínua e sustentável da paisagem, incentivos à recuperação de práticas agrícolas e pastorais, promoção da diversidade de usos e vigilância redobrada nos períodos de maior risco meteorológico. Sem estas mudanças, a região manter-se-á refém de um padrão que favorece incêndios de grande escala.
| Indicador | Valor (2025) |
|---|---|
| Incêndios rurais | 8.252 |
| Área ardida | ≈271.000 hectares |
| N.º de incêndios responsáveis por 91% da área | 44 |
O relatório do SGIFR torna evidente que as políticas públicas têm de aliar resposta operacional a um esforço de prevenção territorial e socioeconómica. Para os municípios do interior, incluindo Castelo Branco, a prioridade passa por integrar a gestão agrária, florestal e pastoral numa estratégia contínua que reduza a continuidade do combustível e promova paisagens mais resilientes.