Alterações no dispositivo pré-hospitalar que afetam Tomar
A Comissão de Trabalhadores do INEM levantou na última comunicação pública a hipótese de que a reorganização do Sistema Integrado de Emergência Médica possa alterar a configuração das viaturas presentes em Tomar, com impacto direto na capacidade de transporte de doentes. Segundo a mesma fonte, as ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV) instaladas em Tomar e em Torres Novas seriam convertidas em viaturas ligeiras, perdendo a componente logística que permite o transporte de doentes.
"As ambulâncias SIV dos dois concelhos poderão perder a capacidade de transportar doentes", afirmou a Comissão de Trabalhadores.
Na explicitação do cenário divulgado pelos trabalhadores está também a indicação de que 54 Ambulâncias de Emergência Médica (AEM) seriam transferidas do INEM para Unidades Locais de Saúde. A Comissão interpreta estas mudanças como a retirada, do aparelho operacional próprio do INEM, de cerca de 100 ambulâncias, um número que está a alimentar receios quanto à capacidade de resposta local.
- Tomar e Torres Novas: cada concelho tem atualmente 1 ambulância SIV identificada na lista dos trabalhadores.
- Preocupação: possível aumento da dependência de bombeiros e da Cruz Vermelha para transporte de doentes.
- Posição do INEM: nega que a reorganização reduza a capacidade de resposta às populações.
A direção do INEM contestou a leitura dos representantes dos trabalhadores, sublinhando que a reestruturação tem como objetivo reforçar a integração entre a resposta pré-hospitalar e os cuidados hospitalares, e não diminuir a capacidade de assistência às populações. Não foram, contudo, apresentados prazos ou pormenores sobre quando e onde as novas viaturas seriam estacionadas em Tomar ou Torres Novas, nem como ficará organizada a resposta em termos logísticos no terreno.
Consequências previsíveis para a rede local de socorro
Se for confirmada a perda da capacidade de transporte nas SIV locais, as deslocações de transferência de doentes poderiam passar a depender mais frequentemente de meios dos bombeiros voluntários e da Cruz Vermelha Portuguesa. A Comissão de Trabalhadores antecipa um aumento da pressão operacional sobre essas corporações, o que, na prática, pode traduzir-se em tempos de espera mais longos em situações que exigem transporte para unidades hospitalares.
Para os habitantes de Tomar, as incógnitas centrais mantêm-se: como será garantida a cobertura de transporte em situações de emergência; que normas definirão a articulação entre INEM, bombeiros e Cruz Vermelha; e qual o calendário concreto de implementação das alterações anunciadas. Até ao momento, não há informação pública detalhada sobre a realocação das viaturas ou sobre reforços que compensem eventuais lacunas operacionais no território.
| Item | Valor |
|---|---|
| Municípios identificados pela Comissão | 71 |
| Ambulâncias SIV em Tomar | 1 |
| Ambulâncias SIV em Torres Novas | 1 |
| AEM previstas para transferência | 54 |
| Redução operacional alegada pelos trabalhadores | 100 ambulâncias |
Enquanto as partes trocam interpretações sobre o alcance da reorganização, a prioridade para os responsáveis locais e para os utentes de Tomar é a clarificação dos efeitos práticos. A comunidade aguarda comunicações oficiais do INEM com pormenores sobre prazos, locais de estacionamento das viaturas e protocolos de coordenação com os serviços de socorro locais, de modo a avaliar riscos e necessidades de adaptação no terreno.